A IMAX não poupou palavras ao classificar a tecnologia Disney Infinity Vision como sendo, na sua essência, uma ferramenta de marketing para promover o filme Avengers: Doomsday.
Esta posição revela uma guerra de bastidores entre formatos de projeção que está longe de ser sobre tecnologia. É sobre controlo de mercado, poder negocial e a capacidade de convencer o público a pagar mais pelo bilhete de cinema. De facto, a história dos formatos de projeção é uma história de promessas grandiosas que raramente correspondem à realidade da experiência na sala.
A Disney Infinity Vision surge como a mais recente tentativa da Disney de criar um ecossistema proprietário de exibição cinematográfica. Além disso, ao associar esta tecnologia a um dos filmes mais antecipados da década, a empresa garante uma atenção mediática que nenhuma demonstração técnica conseguiria por si só. É uma jogada inteligente do ponto de vista comercial, mas a IMAX tem razão em questionar as motivações subjacentes.
Filmes em IMAX compensam sempre, ou haverá momento de viragem?
Todavia, a IMAX não é exatamente uma voz desinteressada neste debate. A empresa tem os seus próprios interesses a proteger – nomeadamente a sua posição dominante como formato premium de projeção cinematográfica. Qualquer tecnologia concorrente que ameace essa posição será, compreensivelmente, recebida com ceticismo. Neste sentido, estamos perante um conflito entre dois gigantes corporativos que utilizam a retórica da inovação tecnológica para disfarçar o que é, fundamentalmente, uma disputa comercial.
O que fica esquecido nesta guerra é o espectador. Consequentemente, o público é bombardeado com terminologia técnica. Desde formatos, a resoluções, taxas de contraste, sistemas de som, que pouco ou nada significa para a experiência efetiva de ver um filme. A diferença entre assistir a um filme numa sala IMAX, numa sala com Disney Infinity Vision ou numa sala convencional bem equipada é, para a maioria dos espectadores, muito menor do que qualquer destas empresas gostaria de admitir.
Sobretudo, a verdadeira inovação no cinema deveria centrar-se no conteúdo, não no invólucro tecnológico. Um bom filme conta uma boa história independentemente do formato em que é projetado.
Em suma, quando a IMAX acusa a Disney de fazer marketing disfarçado de inovação, está a descrever um fenómeno que ela própria pratica há anos. O espectador ganharia mais se ambas as empresas investissem menos em guerras de formatos e mais em tornar a ida ao cinema verdadeiramente acessível e memorável.
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