Numa medida sem precedentes, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos ordenou à Anthropic a suspensão global do acesso aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, Claude Fable 5 e Mythos 5. Esta decisão surgiu após preocupações relacionadas com potenciais vulnerabilidades de segurança.
De acordo com informações divulgadas, a empresa recebeu a diretiva às 17h21 (hora de Nova Iorque), sendo forçada a agir rapidamente. Como não foi possível verificar a nacionalidade de todos os utilizadores em tempo útil, a Anthropic optou por desativar completamente os modelos a nível mundial, garantindo assim o cumprimento da ordem governamental.
Entretanto, a empresa esclareceu que outros modelos disponíveis no seu portefólio continuam operacionais, minimizando parcialmente o impacto para clientes e empresas dependentes da sua tecnologia. Além disso, fontes da administração indicam que estas restrições poderão manter-se durante “algumas semanas”, enquanto as autoridades avaliam os riscos associados.
Narrativas cruzadas entre Anthropic e USA
Por outro lado, o motivo central desta controvérsia prende-se com um alegado jailbreak do modelo Fable 5. Investigadores terão conseguido explorar o sistema para identificar vulnerabilidades de software potencialmente utilizáveis em ciberataques.
No entanto, a Anthropic contesta esta interpretação, descrevendo o incidente como limitado e baseado em vulnerabilidades já conhecidas. Segundo a empresa, o modelo apenas analisou código fornecido e identificou falhas, algo esperado dentro do seu funcionamento.
Em contraste, figuras políticas como David Sacks afirmam que a empresa recusou cumprir pedidos do governo para corrigir ou retirar o modelo, após um alerta considerado credível. Esta divergência de posições evidencia uma clara tensão entre inovação tecnológica e regulação.
Simultaneamente, o caso expõe uma complexa rede de interesses no setor da IA. A Amazon, liderada por Andy Jassy, é simultaneamente investidora principal da Anthropic, parceira tecnológica através da AWS e concorrente direta com os seus próprios modelos Nova. Ainda assim, terá sido também um dos catalisadores das preocupações governamentais que levaram à intervenção.
Consequentemente, especialistas em cibersegurança classificaram a resposta do governo como excessiva, enquanto alguns decisores políticos chegaram a descrevê-la como uma tentativa de prejudicar uma empresa privada.
Por fim, importa referir que o modelo Mythos 5 já estava sob escrutínio desde abril, devido à sua capacidade de identificar vulnerabilidades críticas (zero-day), o que tinha levantado alertas junto de instituições financeiras e reguladores.
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