À medida que os sistemas de inteligência artificial se tornam cada vez mais utilizados para aconselhamento, apoio emocional e suporte psicológico, os investigadores alertam para um risco crescente. Ou seja, o de atribuir uma vida interior a sistemas que, na realidade, não possuem qualquer experiência consciente.
“O antropomorfismo consiste em atribuir emoções, intenções ou consciência a algo que se comporta como um humano”, explicou Karim Jerbi. “Com a IA, este fenómeno torna-se particularmente problemático.”
O que a neurociência nos diz sobre processamento e consciência
O ensaio, publicado pela primeira vez em The Transmitter no início de junho, baseia-se em décadas de investigação em neurociência para demonstrar que a perceção, a aprendizagem e as respostas emocionais podem ocorrer no cérebro humano sem qualquer nível de consciência.
Os autores recorrem ao fenómeno neurológico do blindsight – no qual doentes sem perceção visual consciente conseguem ainda assim realizar tarefas visuais – para argumentar que o processamento sofisticado de informação não implica, por si só, experiência consciente. Com base nesta evidência, os investigadores concluem que os chatbots de IA assemelham-se a “uma forma de automatismo computacional”.
Inteligência artificial no contexto psicológico
Perante este cenário, os investigadores apelam a uma utilização mais cautelosa da IA, sobretudo em domínios sensíveis como a saúde mental. A mensagem central do estudo é clara.
Por mais reconfortante ou emocionalmente ajustada que pareça uma resposta gerada por IA, essa capacidade não constitui qualquer evidência de consciência. Em última análise, tratar a IA como uma ferramenta computacional – e não como um substituto do cuidado humano profissional – continua a ser a abordagem mais responsável e informada.
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