Mais de metade dos utilizadores ativos do ChatGPT comunicam atualmente em idiomas que não o inglês, de acordo com dados recentes da OpenAI. Esta mudança assinala um ponto de viragem para a plataforma, que foi inicialmente concebida com forte predominância do inglês aquando do seu lançamento em 2022.
Entre os idiomas não ingleses mais utilizados destacam-se o espanhol, o português e o árabe. Além disso, o crescimento tem sido particularmente acelerado em regiões como África e Ásia, onde a adoção disparou desde meados de 2023. Neste contexto, a Ásia Central surge como uma das regiões mais dinâmicas, com línguas como o azeri e o cazaque a registarem os maiores aumentos de utilização.
ChatGPT continua a dominar, mas menos que antes
Segundo Sarah Friar, CFO da OpenAI, o ChatGPT já conta com mais de 900 milhões de utilizadores semanais, tornando-se não apenas uma ferramenta amplamente utilizada, mas também uma referência cultural no acesso à inteligência artificial. Paralelamente, a empresa tem reforçado a sua presença internacional, com iniciativas como a abertura de um escritório em Madrid e a distribuição de 165 mil licenças ChatGPT Edu no Cazaquistão.
Apesar do crescimento significativo fora do inglês, persistem desafios técnicos relevantes. Por exemplo, um estudo recente revelou que cerca de 43% das pesquisas internas do ChatGPT continuam a ser processadas em inglês, mesmo quando os pedidos são feitos noutras línguas. Consequentemente, isto pode afetar a qualidade das respostas em idiomas com menos recursos digitais.
Desafios técnicos e adaptação a mercados globais
Adicionalmente, investigação académica indica que os modelos de linguagem tendem a apresentar um desempenho inferior em línguas menos representadas. Ainda assim, a OpenAI tem vindo a aumentar a transparência através do programa Signals, que fornece dados agregados sobre padrões de utilização, incluindo expansão geográfica e diversidade demográfica.
Por outro lado, embora Estados Unidos e Índia representem mais de um terço do tráfego global, a base de utilizadores está progressivamente mais distribuída pelo resto do mundo. Assim, esta evolução confirma uma tendência clara: o futuro da inteligência artificial será cada vez mais multilingue e global.
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