A Apple e a União Europeia voltaram a reunir-se para discutir o futuro da nova Siri com inteligência artificial, num momento particularmente sensível para a empresa, já que Tim Cook se prepara para deixar o cargo de CEO. As conversações, descritas como “construtivas”, evidenciam que o impasse regulatório continua longe de estar resolvido.
Por um lado, a Apple defende que o atual enquadramento regulatório europeu, especialmente o Digital Markets Act (DMA), dificulta a introdução de novas funcionalidades baseadas em IA no iPhone e iPad. Como resultado, a empresa confirmou que a nova Siri – integrada no ecossistema Apple Intelligence – não será lançada nestes dispositivos na União Europeia com o iOS 27.
Apple e UE mantêm impasse sobre Siri com IA
Por outro lado, a Comissão Europeia rejeita esta interpretação. Segundo Bruxelas, não existe qualquer impedimento legal que impeça a Apple de disponibilizar estas funcionalidades aos utilizadores europeus. Assim, a decisão de adiar o lançamento será, na perspetiva do regulador, uma escolha estratégica da própria empresa. Ainda assim, importa destacar que a Siri com IA estará disponível na UE através do macOS 27 e visionOS 27, o que demonstra que o bloqueio não é total, mas sim específico a determinados dispositivos.
Entretanto, a participação direta de Tim Cook nestas negociações ganha especial relevância. O atual CEO deverá transitar para o cargo de Executive Chairman já em setembro, passando o testemunho a John Ternus. Neste contexto, Cook parece estar a consolidar o seu envolvimento nas relações institucionais da Apple, particularmente na Europa.
Tim Cook reforça papel estratégico antes da transição
Além disso, esta não foi a primeira interação entre Cook e a Comissão Europeia. Em maio de 2025, o executivo já tinha mantido uma conversa considerada “franca e produtiva” com responsáveis europeus sobre regulamentação digital e inovação.
Apesar do tom positivo das recentes discussões, não existe ainda qualquer calendário definido para a chegada da nova Siri com IA ao iPhone e iPad na União Europeia. Consequentemente, o desfecho deste braço-de-ferro regulatório continuará a ser um dos temas centrais na estratégia da Apple para o mercado europeu.
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