A Meta deverá iniciar, em setembro, a produção do seu chip personalizado de inteligência artificial de nova geração, com o nome de código Iris. A iniciativa integra o programa Meta Training and Inference Accelerator (MTIA), criado para desenvolver processadores próprios capazes de suportar funcionalidades de IA no Facebook, Instagram e restantes serviços da empresa.
O Iris foi desenvolvido em colaboração com a Broadcom, enquanto o fabrico ficará a cargo da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Segundo uma nota interna consultada pela Reuters, pelo menos um dos chips já concluiu a fase de testes em cerca de seis semanas.
Além disso, a Meta pretende lançar um novo chip de IA aproximadamente a cada seis meses até 2027, um ritmo significativamente mais rápido do que o ciclo anual habitual no setor. O Iris foi apresentado em março, juntamente com outros três processadores, como parte do roteiro MTIA da empresa.
Agentes de IA aumentam pressão sobre a infraestrutura
Com esta estratégia, a Meta procura reduzir a dependência de fornecedores como a Nvidia e a AMD. Ao utilizar hardware próprio nos seus centros de dados, a tecnológica espera diminuir os custos financeiros e energéticos associados a chips de terceiros e, simultaneamente, aumentar a capacidade total de computação para 14 gigawatts já no próximo ano.
O desenvolvimento do Iris surge num momento em que a procura por computação para IA está a acelerar. Durante a conferência VB Transform 2026, realizada em Menlo Park a 14 de julho, Barak Yagour, vice-presidente de Engenharia da Meta, alertou para o crescimento rápido das cargas de trabalho associadas aos agentes de IA.
De acordo com Yagour, as consultas de agentes de IA nos sistemas da Meta aumentaram 30 vezes em apenas seis meses. Por isso, o responsável considera que as empresas têm cerca de 20 meses para reconstruir as suas infraestruturas e prepará-las para agentes de IA em produção. “Capacidade, identidade e velocidade estão a falhar ao mesmo tempo”, afirmou Yagour, citado pela VentureBeat.
Meta deixa aviso às empresas
Assim, a Meta defende que as organizações devem preparar os seus sistemas para uma nova fase, em que os agentes de IA deixam de ser experiências pontuais e passam a gerar cargas de trabalho contínuas e exigentes.
Esta aposta em chips próprios faz parte de uma ambição mais ampla. Em abril, a Meta indicou aos investidores que poderá investir até 145 mil milhões de dólares em despesas de capital. Mais recentemente, confirmou planos para lançar a Meta Compute, um negócio de computação em cloud destinado a disponibilizar capacidade excedentária de IA a clientes externos.
Embora a Meta produza chips de IA desde 2023, o Iris representa uma evolução relevante na sua estratégia. Desta forma, a empresa procura acompanhar o aumento das necessidades internas de IA, reforçar a autonomia tecnológica e competir num mercado de infraestruturas cada vez mais dominado pela procura por computação avançada.
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