A procura crescente por inteligência artificial está a provocar uma escassez global de chips de memória, um fenómeno já apelidado de “RAMageddon”. Como resultado, os preços estão a aumentar em vários setores, desde computadores portáteis e consolas de jogos a automóveis e televisores. Além disso, não é esperado um alívio significativo antes do final de 2027.
Nos últimos 12 meses, os preços da memória dispararam quase cinco vezes. De acordo com dados divulgados pela TechPowerUp a 18 de agosto, alguns kits DDR5 registaram aumentos até 485% face ao mesmo período do ano anterior nos Estados Unidos. Entretanto, Samsung, SK hynix e Micron (os três maiores fabricantes do setor) já terão esgotado a capacidade de produção prevista para 2027, limitando a oferta disponível para outros compradores.
Ao contrário das ruturas verificadas durante a pandemia, esta escassez não resulta sobretudo de problemas logísticos. Na prática, os fabricantes estão a direcionar capacidade de produção para chips de memória de elevado desempenho destinados a centros de dados de IA, que oferecem margens de lucro superiores. Por sua vez, as grandes tecnológicas deverão investir mais de 650 mil milhões de dólares em infraestrutura de IA em 2026, intensificando a pressão sobre o mercado.
O setor automóvel é um dos mais expostos ao aumento dos custos. A diretora financeira da Ford, Sherry House, indicou que a subida dos preços da DRAM associada à procura por IA poderá acrescentar cerca de mil milhões de dólares aos custos da empresa em 2026. Do mesmo modo, a GM e a Volkswagen também alertaram os investidores para o impacto crescente dos chips nos custos de produção.
Automóveis também sentem o impacto da Inteligência Artificial
Atualmente, o preço médio de um automóvel novo nos Estados Unidos ronda os 50 mil dólares. No entanto, alguns analistas consideram que este valor poderá aproximar-se dos 60 mil dólares à medida que os veículos passam a depender de arquiteturas informáticas mais centralizadas, que exigem mais memória RAM. Segundo Sam Abuelsamid, analista da Telemetry, a escassez poderá aumentar os preços dos veículos em alguns pontos percentuais no próximo ano, o equivalente a cerca de 2.000 dólares por automóvel.
Além disso, a necessidade de memória nos veículos está a crescer rapidamente. A Micron prevê que o consumo combinado de DRAM e NAND por automóvel passe de 90 GB para 278 GB até 2026. Consequentemente, a pressão sobre a cadeia de fornecimento poderá refletir-se não apenas no preço de veículos novos, mas também em bens de consumo como computadores, consolas e televisores.
Ainda assim, alguns investidores questionam se a procura real corresponde às previsões. O chamado “efeito chicote” pode levar empresas a encomendar mais componentes por receio de futuras ruturas, criando uma procura aparentemente superior à necessária. Se essa procura abrandar, o mercado poderá enfrentar um excesso de inventário, tal como aconteceu após anteriores crises no setor dos semicondutores.
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