O próximo modelo de fronteira da OpenAI, Astra, parece estar cada vez mais próximo de ser lançado, depois de várias semanas de testes internos alargados, apresentações privadas a clientes selecionados e da alegada divulgação de exemplos de resultados. Contudo, a empresa enfrenta também desafios de segurança sem precedentes, sobretudo devido às capacidades de cibersegurança atribuídas ao modelo.
A OpenAI reconheceu publicamente a existência do Astra pela primeira vez a 1 de agosto, descrevendo-o como o seu “próximo grande modelo”. Poucos dias depois, a empresa revelou que as avaliações internas apontavam para capacidades de programação autónoma e cibersegurança suficientemente avançadas para que não pudesse “excluir capacidades cibernéticas críticas”, ao abrigo do seu Preparedness Framework.
OpenAI continua a inovar
Segundo informações avançadas pela Axios, tratou-se da primeira vez que um modelo da OpenAI foi associado a este nível de risco potencial. Como resultado, a empresa terá suspendido parte do trabalho interno no Astra, implementado ambientes de teste isolados e assumido o compromisso de colaborar com entidades governamentais relevantes e organizações especializadas em segurança de IA antes de qualquer lançamento.
No âmbito deste quadro, o nível Critical aplica-se a modelos capazes de identificar e explorar autonomamente vulnerabilidades zero-day em sistemas protegidos, ou de desenvolver estratégias completas de ciberataque a partir de um objetivo genérico. Os modelos anteriores, incluindo o GPT-5.6 Sol, teriam sido classificados no nível High, ou seja, um patamar abaixo.
Ainda assim, a OpenAI parece estar a acelerar os preparativos. Numa reportagem de capa da TIME, publicada a 26 de agosto, o CEO Sam Altman afirmou esperar que o Astra seja “o primeiro modelo capaz de inventar coisas novas de forma verdadeiramente relevante”. Por sua vez, o cientista-chefe Jakub Pachocki terá comparado o modelo a um “investigador em formação automatizado”, capaz de implementar ideias experimentais no código da OpenAI, executar experiências e devolver resultados.
Entretanto, a empresa terá mostrado o Astra a clientes VIP numa apresentação privada. De acordo com o jornalista tecnológico Alex Heath, os investigadores demonstraram colaboração entre múltiplos agentes para resolver provas matemáticas, operar software num ambiente de desktop e gerar documentos.
Outputs alegadamente divulgados apontam para um salto de capacidade
Há dias começaram a circular online exemplos de outputs atribuídos a um checkpoint do Astra identificado como “mozaik-alpha-fdm”. Os exemplos, descritos como gerações zero-shot com o nível máximo de raciocínio, incluíam um jogo ao estilo de GTA 2, websites detalhados, objetos 3D e ambientes voxel, todos criados a partir de um único prompt.
Além disso, vários observadores assinalaram uma melhoria visível na atenção aos detalhes de implementação face ao GPT-5.6 Sol. O modelo terá também demorado mais tempo a raciocinar antes de produzir uma resposta, o que poderá indicar um processo de inferência mais aprofundado para tarefas complexas.
No entanto, a OpenAI ainda não confirmou que “mozaik-alpha-fdm” seja um nome de código oficial, nem anunciou uma data de lançamento. Os mercados de previsão atribuíram cerca de 80% de probabilidade a um lançamento antes de 18 de setembro, enquanto outros relatos apontam para uma janela entre o início e meados de setembro.
Por fim, continua por esclarecer se o Astra será lançado como GPT-6 ou com outra designação. A OpenAI ainda não estabeleceu publicamente uma ligação entre os dois nomes. Certo é que o lançamento dependerá de uma avaliação de segurança mais exigente do que qualquer outra conduzida anteriormente pela empresa. Um responsável da Casa Branca confirmou que a OpenAI informou voluntariamente a administração sobre os planos para adiar o lançamento, enquanto a empresa garante que não avançará até que os seus sistemas de monitorização, alinhamento e contenção cumpram os critérios definidos internamente.
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