Durante décadas, a rotina foi praticamente a mesma: usar a sanita, pegar no papel higiénico e seguir com a vida. Contudo, há uma tecnologia muito comum no Japão que começa a conquistar cada vez mais casas europeias: a sanita inteligente.
E não estamos apenas a falar de uma sanita que dispara água. Os modelos atuais aquecem o assento, regulam a temperatura e pressão do jato, secam com ar quente e até conseguem limpar automaticamente os próprios bocais.
A sanita inteligente faz muito mais do que lavar
O princípio é bastante simples. Depois da utilização da sanita, um pequeno bocal retrátil utiliza água para realizar a higiene íntima. Porém, a tecnologia evoluiu bastante.
Modelos como os WASHLET da TOTO permitem escolher diferentes tipos de jato, posição, pressão e temperatura da água. Dependendo da versão, encontramos ainda assento aquecido, secagem com ar quente, filtro de odores, abertura automática da tampa e descarga sem contacto.
Ou seja, estamos perante uma abordagem muito diferente daquela que temos tradicionalmente nas casas de banho portuguesas.
Aliás, a TOTO afirma já ter vendido mais de 70 milhões de WASHLET em todo o mundo.

Na China, o ecossistema da Xiaomi também já entrou há vários anos nesta área. Através de marcas associadas, como a Smartmi e a Viomi, encontramos sanitas inteligentes e soluções de higiene com lavagem por água, assento aquecido, controlo de temperatura, descarga automática e outras funções eletrónicas.
Alguns destes equipamentos chegaram mesmo às plataformas de crowdfunding e comércio ligadas à Xiaomi, mostrando até onde pode chegar o conceito de casa inteligente. Contudo, importa fazer a distinção: nem todas as sanitas anunciadas online como “Xiaomi” ou “Mijia” são produtos oficiais da marca.
Água ou papel higiénico: existe realmente diferença?
Aqui a tecnologia começa a ficar particularmente interessante.
Um pequeno estudo realizado com 32 estudantes de enfermagem avaliou a contaminação das mãos após a higiene. Os investigadores encontraram uma redução significativa da quantidade de microrganismos quando era utilizado primeiro um bidé com jato de água antes do papel higiénico.
Além disso, os dermatologistas salientam que a limpeza suave com água pode ser particularmente útil quando o atrito provocado pelo papel ou determinados toalhetes húmidos irrita a pele.
Naturalmente, isto não significa que tenhamos descoberto uma solução milagrosa para a higiene.
Mais tecnologia não significa usar pressão máxima
Há também um detalhe importante:
lavar demasiado pode ser contraproducente.
A utilização excessiva do jato, sobretudo durante períodos prolongados ou com demasiada pressão, pode provocar irritação da zona anal. Um acompanhamento de três anos encontrou, por exemplo, mais relatos de irritação cutânea entre alguns utilizadores habituais, embora não tenha encontrado um aumento significativo de hemorróidas ou infeções urogenitais no conjunto da população estudada.
Além disso, os bocais devem ser corretamente limpos e mantidos. Estudos realizados em ambientes hospitalares demonstraram que equipamentos partilhados podem acumular bactérias quando a manutenção e desinfeção não são adequadas.
Em casa, portanto, é essencial respeitar as instruções de limpeza do fabricante.
O futuro da casa de banho pode passar por aqui
Tal como aconteceu com as escovas de dentes elétricas ou os aspiradores robot, há produtos que inicialmente parecem um luxo desnecessário até começarem a resolver pequenos problemas do quotidiano.
A sanita inteligente encaixa precisamente nessa categoria.
Não significa necessariamente abandonar completamente o papel higiénico. Porém, utilizar água para realizar primeiro a higiene pode reduzir bastante a quantidade necessária. Alguns equipamentos levam a ideia ainda mais longe com secagem automática.
E depois de smartphones, relógios, frigoríficos e aspiradores inteligentes, talvez não seja assim tão estranho que a próxima pequena revolução tecnológica da nossa casa aconteça precisamente… na casa de banho.
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