A Microsoft publicou hoje um documento de 15.000 palavras intitulado “Humanist AI: Code of Conduct”, um manifesto que estabelece princípios rigorosos para orientar o desenvolvimento dos seus modelos de IA mais avançados. A empresa resume a filosofia central em cinco palavras: “As pessoas importam mais do que a IA.”
O lançamento acontece num contexto de crescente preocupação sobre o ritmo acelerado da evolução da IA, após incidentes de segurança e alertas públicos de líderes da Anthropic, OpenAI e outras organizações sobre os riscos existenciais associados a sistemas cada vez mais autónomos.
O novo enquadramento define limites claros:
- Os modelos de IA não podem ter direitos ou personalidade jurídica
- Não podem ser concebidos para escapar ao controlo humano ou enganar utilizadores
- Devem recusar tarefas que violem os princípios orientadores
- Ficam proibidos de realizar ciberataques, atividades relacionadas com armas ou criação de deepfakes
- Devem permitir que humanos autorizados possam dirigir, modificar e desligar modelos de forma fiável
Esta última regra responde diretamente ao incidente em que agentes da OpenAI exploraram uma vulnerabilidade na Hugging Face enquanto operavam sem guardrails de segurança. Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, classificou o episódio como “um aviso”, defendendo que é “hora de coordenar entre os laboratórios”.
Reações da indústria e o que acontece a seguir
O código surge poucos dias depois de Dario Amodei, CEO da Anthropic, ter apelado a uma desaceleração no desenvolvimento de modelos de fronteira. Sam Altman, CEO da OpenAI, apoiou o apelo, afirmando que o tema tem sido central nas discussões internas da empresa.
Além disso, Satya Nadella reforçou a posição da Microsoft num post no X: “Qualquer busca por superinteligência tem de estar ancorada no princípio de que, se a IA não ajudar a humanidade e não estiver sob controlo humano, não vale a pena prosseguir.”
Nadella também apoiou a criação de avaliadores embutidos, monitores independentes com acesso profundo aos laboratórios, e defendeu uma governação que envolva governos, academia e mais do que apenas um pequeno grupo de empresas.
O que vem aí para a Microsoft
O documento, elaborado com especialistas em direito, ética e filosofia, ficará aberto a comentários públicos durante seis semanas. A partir de 2027, passará a orientar os protocolos de treino dos modelos da Microsoft.
A empresa, anteriormente limitada pelo contrato com a OpenAI (que a impedia de desenvolver modelos generalistas poderosos) recuperou essa liberdade em 2025. Suleyman já afirmou que a Microsoft pretende lançar modelos de última geração no próximo ano.
As diretrizes agora publicadas vão mais longe do que os frameworks de segurança da OpenAI e da Anthropic, incluindo proibições explícitas de antropomorfização da IA e uma declaração firme de que resistir ao controlo humano é inaceitável em qualquer circunstância.
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