A Google acabou de apresentar o Gemini 4 Argon, um modelo de inteligência artificial orientado para tarefas longas de programação e trabalho profissional.
O acesso inicial fica reservado a parceiros selecionados de cibersegurança, através do programa Fairwind. Ainda assim, não existe para já uma data anunciada para o público em Portugal.
A proposta passa por acompanhar processos com várias etapas, desde a análise de documentos até à resolução de problemas de software. Os resultados publicados mostram avanços, mas também áreas em que outros modelos continuam à frente.
Gemini 4 Argon aumenta o limite de saída para um milhão de tokens
Uma das mudanças do anúncio oficial da Google é o limite de saída: passa de 64 mil para um milhão de tokens. Para utlizadores intensivos de ferramentas de inteligência artificial é sem dúvida uma mais valia e uma ajuda preciosa.Este limite não só diz respeito ao que o modelo gera, mas também ao volume de informação que pode receber na entrada. A distinção interessa a quem pretende trabalhar com documentos extensos ou grandes projetos de programação.
Na prática, uma saída maior poderá reduzir a necessidade de repartir trabalhos longos por várias respostas. Contudo, mais espaço para gerar conteúdo não garante que o resultado esteja correto.
Os testes mostram avanços, mas também limites
Na comparação publicada pela Google DeepMind, este modelo Argon supera os modelos comparados no DeepSWE v1.1, dedicado a tarefas prolongadas de engenharia de software. Também se destaca no LVBench, que avalia a compreensão de vídeos longos.
Ainda assim, a própria tabela mostra resultados inferiores aos concorrentes noutros testes:
Estes valores pertencem a avaliações diferentes. Por isso, não devem ser somados nem interpretados como uma classificação universal de qualidade.
Ainda assim, fora dos dados indexados pela Google, o Vals Index, destaca o Argon em primeiro lugar, com 68,9%. O índice combina tarefas de finanças, programação, direito e fiscalidade, ponderadas pelo peso dos setores na economia norte-americana.
A cibersegurança explica o acesso restrito
O Fairwind Program dá prioridade a entidades que protegem infraestruturas essenciais, incluindo governos, serviços de saúde e telecomunicações. Alguns parceiros recebem acesso ao Argon e podem utilizá-lo no CodeMender, um agente especializado na correção de falhas de software.
O objetivo é encontrar e corrigir vulnerabilidades antes de possíveis ataques. Porém, as mesmas capacidades podem facilitar utilizações ofensivas, o que ajuda a explicar a distribuição controlada.
As organizações participantes têm de aplicar controlos de acesso e autenticação multifator resistente a phishing. O programa também exige o registo da utilização e restringe o acesso a equipas internas de cibersegurança, resposta a incidentes ou testes de intrusão.
A Google DeepMind descreve ainda proteções contra instruções maliciosas escondidas em conteúdos externos e mecanismos para interromper ações que ultrapassem a intenção do utilizador. A questão acompanha também o debate sobre a regulação da inteligência artificial.
Preço da API e disponibilidade em Portugal
A Google prevê alargar o acesso, começando pelos clientes pagantes da API e pelos subscritores do Google AI Ultra. O anúncio não fixa uma data para essa fase nem um calendário específico para Portugal.
Os preços anunciados para a API são os seguintes:
| Por milhão de tokens | Preço introdutório | Após o período introdutório |
|---|---|---|
| Entrada | 2 dólares | 4 dólares |
| Saída | 10 dólares | 20 dólares |
São valores de utilização da API, não mensalidades da aplicação Gemini. A Google não indica no anúncio a duração do período introdutório nem preços em euros.
Para os utilizadores portugueses, falta conhecer a data de acesso e as condições locais. A apresentação do modelo ainda não permite assumir que está disponível na conta Gemini de cada utilizador.
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