Google Mensagens burlas: a app de SMS e RCS que vem de origem em muitos Android tem agora um modo chamado proteção reforçada, que usa o Gemini para analisar conversas com desconhecidos e verificar links suspeitos antes de lhes tocares. A novidade está a chegar aos telemóveis de forma gradual.
O tema toca a quase toda a gente em Portugal, onde as burlas do falso estafeta, do falso banco e do «olá pai, olá mãe» chegam por SMS todas as semanas. A proteção reforçada é opcional e vem desligada, por isso vale a pena saberes onde está. Vê o que faz, o que a Google promete sobre a privacidade, que telemóveis têm a versão completa e como a ligar.
Google Mensagens burlas: o que é a proteção reforçada
Até aqui, o Google Mensagens tinha uma proteção padrão, que bloqueia spam e links suspeitos já conhecidos. A proteção reforçada (Enhanced Protection, no original) é um nível acima, que a Google descreve como as suas defesas «mais poderosas e inteligentes» contra burlas complexas.
Em causa estão três funcionalidades, que só ficam ativas quando escolhes este modo:
- Deteção de burlas com o Gemini na cloud, para conversas com remetentes desconhecidos.
- Verificação de links com o Gemini Nano, feita no telemóvel.
- Avisos redesenhados antes de abrires links enviados por números que não tens na agenda.
Como o Gemini deteta burlas nas conversas com desconhecidos
A Google explica que muitos burlões escondem as intenções em conversas lentas, que começam inocentes e só ao fim de várias mensagens pedem dinheiro ou dados. Com a proteção reforçada, a deteção de burlas passa a recorrer aos modelos Gemini mais capazes da Google, na cloud, para avaliar o contexto da conversa e perceber mais depressa a intenção de quem está do outro lado.
Esta análise só acontece quando falas com um remetente desconhecido e soma-se à deteção que já era feita no próprio telemóvel. Segundo a Google, as proteções contra burlas do Google Mensagens e da app Telefone já sinalizam mais de 5 milhões de chamadas e mensagens suspeitas por mês.
Links suspeitos: a verificação com o Gemini Nano
Os burlões registam sites novos a toda a hora, que ainda não constam de nenhuma lista negra. Para esses casos, o Gemini Nano, o modelo de IA que corre no telemóvel, junta sinais da web em tempo real para avaliar se um link desconhecido é de confiança antes de lhe tocares.
Há um senão: esta verificação está limitada a alguns telemóveis recentes, como os Pixel 10 e seguintes, os Samsung Galaxy S26, Galaxy Z Flip 8 e Galaxy Z Fold 8, e outros «dispositivos selecionados». Nos restantes telemóveis ficas com as outras duas camadas.
A terceira peça são os avisos. Quando recebes um link de um número que não está nos teus contactos, a app mostra um alerta redesenhado, com mais contexto e mais tempo para pensares antes de tocar. A Google diz que até agora isto só existia em alguns países ou em telemóveis com a Proteção Avançada do Android ligada.
E a privacidade? O que é o Private AI Compute
Mandar conversas para a cloud levanta a pergunta óbvia. A Google garante que a análise é feita no Private AI Compute, um espaço dedicado em que os dados vão encriptados e ficam, nas palavras da empresa, «privados para ti e inacessíveis a qualquer outra pessoa, incluindo a Google».
É uma promessa da própria Google, que não pudemos verificar de forma independente. Se preferes que nada saia do telemóvel, continuas a ter a proteção padrão, que faz a análise no dispositivo.
Como ativar a proteção reforçada no Google Mensagens
A opção não é um simples interruptor: há três níveis à escolha.
- Abre o Google Mensagens e toca na tua fotografia de perfil, no canto superior direito.
- Entra nas definições da app e depois em Proteção e segurança.
- Escolhe Proteção reforçada. As outras opções são Proteção padrão e Sem proteção, que a Google não recomenda.
A distribuição é gradual. Se ainda não vês a opção, confirma na Google Play Store que tens a versão mais recente do Google Mensagens e volta a tentar dentro de alguns dias.
O resto do pacote: chamadas e partilha de ecrã
O mesmo anúncio traz mais duas defesas no Android. O sistema passa a impedir que apps ativem o reencaminhamento de chamadas em segundo plano, um truque usado para roubar códigos de autenticação, e avisa-te se alguém te pedir para marcar um código de reencaminhamento no teclado do telefone.
Além disso, quando partilhas o ecrã, o Android passa a esconder automaticamente os campos de palavra-passe e de pagamento também no Chrome e nas apps que usam o Android WebView. A Google fala ainda de chamadas bancárias verificadas, já em uso no Brasil e com clientes do Revolut, mas não diz quando chegam a bancos portugueses.
A nossa análise
Nenhum filtro substitui o bom senso: se uma mensagem tem pressa e pede dinheiro, códigos ou um link, desconfia. Ainda assim, a proteção reforçada ataca o ponto mais fraco dos filtros atuais, que são as conversas longas e os sites acabados de criar. Se usas o Google Mensagens, ou configuras o telemóvel de alguém mais velho, é das primeiras opções a ligar quando chegar.


