O Instagram está a testar vídeos de 90 minutos na horizontal, a que chama «Features», para trazer para a app podcasts, entrevistas, comédia e episódios de séries criadas pelos próprios utilizadores. O teste começou com criadores no Brasil e alarga-se agora a um pequeno grupo nos Estados Unidos, por isso ainda não está disponível em Portugal.

Ao mesmo tempo, a rede social da Meta está a experimentar outras funções que aproximam a app da televisão e do YouTube, das séries em episódios aos diretos mais fáceis de encontrar. Há, porém, uma diferença que pesa para quem cria: para já, o Instagram não vai partilhar receitas de publicidade com os autores destes vídeos.

Como funcionam os vídeos de 90 minutos no Instagram

As «Features» são vídeos longos em formato horizontal, ao contrário dos Reels, que são verticais e curtos. O Instagram diz que está a testar vários limites de duração, sendo os vídeos de 90 minutos o mais alto, e que o formato foi pensado para conteúdos que pedem tempo, como um podcast gravado em vídeo ou um episódio de um programa.

A ideia é que estes vídeos se vejam também no ecrã grande. O Instagram já tem uma app para televisores, que nos EUA está nos televisores Samsung, no Fire TV e no Google TV e que também chegou à Apple TV, e vai permitir guardar vídeos no telemóvel para os veres depois na televisão.

Tessa Lyons, vice-presidente de produto do Instagram, explica a aposta assim: «Os Reels vão continuar a ser uma parte central do Instagram. Mas, quando quiseres aprofundar a relação com os criadores de que gostas», poderás ver os conteúdos mais longos que eles fazem.

Clips, séries e diretos também estão em teste

O Instagram quer também usar os Reels como montra para os vídeos longos. Com os «Clips as Reels», um criador pode publicar até oito excertos curtos que levam diretamente ao vídeo completo.

As «Series» juntam Reels em episódios numa área própria do perfil, para seguires uma história ou um programa pela ordem certa. Esta função está em teste desde a primavera nos EUA, na Índia e no México, e o Instagram promete alargá-la a mais países até ao fim de 2026.

Por fim, os diretos vão passar a aparecer no separador dos Reels, para serem mais fáceis de encontrar. Em breve, segundo o Instagram, vais também poder usar o telemóvel como comando da app de televisão.

Quando chega a Portugal

O Instagram não deu datas para alargar o teste a outros países. Para já, as «Features» estão limitadas a criadores no Brasil e a um pequeno grupo nos EUA, e a empresa pode mudar a duração, o nome ou o funcionamento antes de as lançar a sério.

Em Portugal, o que já podes usar é a app do Instagram para televisão na Apple TV, com Reels e diretos. Se o teste correr bem, é aí que os vídeos longos deverão fazer mais sentido.

O problema do dinheiro para os criadores

É aqui que o Instagram fica atrás do YouTube. O YouTube entrega aos criadores do seu Programa de Parcerias 55% das receitas da publicidade mostrada nos vídeos longos, enquanto o Instagram não tem, para já, qualquer modelo de partilha de receitas para as «Features».

A Meta diz que é «demasiado cedo» para falar de um modelo de remuneração a longo prazo e que, por agora, paga diretamente a alguns criadores. Adam Mosseri, responsável pelo Instagram, já admitiu que a empresa conta gastar com estes formatos mais dinheiro do que aquele que vai recuperar.

Para um criador português de podcasts ou vídeo, isto significa que, quando o formato chegar, o Instagram servirá sobretudo para ganhar visibilidade e não para ganhar dinheiro com publicidade.

A nossa análise

Não é a primeira vez que o Instagram tenta o vídeo longo. O IGTV, lançado em 2018 e encerrado em 2022, falhou precisamente por não dar aos criadores razões para trocar o YouTube, e as «Features» arrancam com o mesmo problema.

A diferença está no contexto. O Instagram tem hoje uma app de televisão, os Reels como porta de entrada e uma audiência habituada a ver vídeo na app, e é isso que pode fazer este teste correr melhor. Sem dinheiro para quem cria, contudo, o YouTube continua a ter o argumento mais forte.

Fica ainda mais conectado:

fonte