Um ataque informático ao Intermarché afetou os sistemas de refrigeração de sete lojas em Portugal na madrugada de 2 de novembro, confirmou o Grupo Mosqueteiros. O alvo terá sido um prestador externo que gere os equipamentos de frio, numa nova vaga de ataques a supermercados europeus.

Num comunicado citado pela RTP, o grupo diz ter acionado os procedimentos necessários com os parceiros de manutenção para repor os sistemas “com a maior brevidade possível”. O caso lembra, em menor escala, o ataque de outubro que obrigou centenas de supermercados franceses a deitar fora produtos frescos e congelados.

O que se sabe sobre o ataque informático ao Intermarché

O Grupo Mosqueteiros confirmou à SIC Notícias e a outros meios que “foram identificadas ocorrências relacionadas com um ataque informático em sete lojas Intermarché em Portugal”. Segundo o comunicado, o ataque “terá visado um prestador de serviços externo responsável pela gestão dos sistemas de refrigeração”.

Lojas afetadas: sete, em locais por revelar

O grupo não revelou quais são as lojas, os prejuízos nem se teve de retirar produtos das zonas de frio, segundo a Executive Digest. Também não identificou o prestador nem o fabricante dos equipamentos. Até ao momento, o ataque não foi reivindicado por nenhuma organização. 

Alimentos: garantias do grupo e relatos de perdas

No comunicado, o grupo afirma que “a cadeia de abastecimento não foi afetada e estão asseguradas todas as condições de higiene e segurança alimentares”. Já o Correio da Manhã noticia que terão ficado estragadas toneladas de comida. Segundo o jornal, em alguns casos as temperaturas terão subido para perto dos 30 ou 40 °C. Estes dados não constam do comunicado do grupo.

Corredor de congelados de um supermercado, com portas de vidro e caixas de peixe panado e batatas fritas nas prateleiras
Corredores frigoríficos afetados

Nova vaga de ataques a supermercados na Europa

Na mesma madrugada, houve ataques semelhantes na Bélgica, no Luxemburgo, na Suécia, na Irlanda, nos Países Baixos e na Estónia, segundo a RTP. Na Bélgica, a Delhaize falou num “incidente informático” nos sistemas de refrigeração de cerca de 40 lojas e a Carrefour registou problemas em pelo menos 15, segundo a Euronews.

O presidente executivo da Sabcobel, empresa que gere a refrigeração da Delhaize, disse à agência Belga que os atacantes puseram os evaporadores em modo de descongelação, de acordo com a CNBC. Na Irlanda, o grossista Musgrave retirou de venda alguns produtos refrigerados e congelados em 13 supermercados SuperValu.

O precedente: centenas de supermercados atacados em França

As autoridades admitem que o método seja o mesmo do ataque da noite de 11 para 12 de outubro em França, segundo a RTP. Nessa noite, os frigoríficos de cerca de 150 lojas do grupo aqueceram até 50 °C durante seis horas, disse a Les Mousquetaires, dona do Intermarché, à Reuters. A empresa deitou fora todos os alimentos afetados, para eliminar riscos para a saúde.

O balanço chegou depois a cerca de 300 lojas Intermarché e Netto, e o Governo francês contou cerca de 700 supermercados afetados, segundo a Associated Press.

A agência francesa de cibersegurança, a ANSSI, disse ter conhecimento de “numerosos comprometimentos” em módulos de controlo remoto da dinamarquesa Danfoss e da norte-americana Copeland. A Danfoss explicou que a maioria dos sistemas afetados eram produtos antigos, que já não recebiam atualizações de software nem de segurança. Em agosto, a Claroty tinha detetado falhas nestas plataformas, entretanto corrigidas, e muitos controladores acessíveis diretamente a partir da internet.

Na altura, um analista da Sekoia disse à Reuters que Portugal também tinha sido visado, mas não havia relatos de problemas maiores no país, segundo a CNN Portugal. Em 2025, Portugal já surgia em 12.º lugar entre os países europeus mais afetados por ciberataques, segundo um relatório da Microsoft.

Há risco para quem faz compras no Intermarché?

A nossa leitura: o grupo garante que a segurança alimentar está assegurada e, no caso francês, os alimentos afetados foram deitados fora. Em Portugal, falta saber quais são as sete lojas, que prejuízos houve, se foi preciso retirar produtos e se o prestador atacado usa os mesmos sistemas do caso francês.

O ataque de outubro mostrou que equipamentos de frio ligados à internet, antigos e sem atualizações, permitem causar prejuízos no mundo físico. As bases da defesa não mudam. Processos desde atualizar, controlar acessos e separar estes sistemas do resto da rede, como explicámos a propósito de a IA acelerar os ciberataques.

Fontes: Grupo Mosqueteiros, via RTP, SIC Notícias, Correio da Manhã, Executive Digest, Euronews, CNBC, Reuters, via SBS, Associated Press, CNN Portugal

Perguntas frequentes

Quantas lojas Intermarché foram afetadas pelo ataque informático?

Sete lojas em Portugal, segundo o Grupo Mosqueteiros. O grupo não revelou quais são nem onde ficam.

Os alimentos à venda no Intermarché estão seguros?

O Grupo Mosqueteiros garante que a cadeia de abastecimento não foi afetada e que estão asseguradas todas as condições de higiene e segurança alimentares. O Correio da Manhã noticia que terão ficado estragadas toneladas de comida, um dado que não consta do comunicado.

Quem está por trás do ataque aos frigoríficos dos supermercados?

Ainda não se sabe. Segundo a RTP, o ataque ainda não foi reivindicado.

É o mesmo ataque que afetou supermercados em França?

Ainda não está confirmado, mas as autoridades admitem que o método seja o mesmo do ataque de outubro, segundo a RTP. Nesse ataque, o Governo francês contou cerca de 700 supermercados afetados.