O mundo mudou. Aquilo que sonhávamos na infância pareciam quimeras, fantasias de uma mente petiz. No entanto, a evolução galopante da tecnologia e o advento das novas tecnologias para a comunicação tornou grande desses sonhos em realidade.
Hoje, consolas portáteis como o ASUS ROG Ally X emergiram para provar que jogar títulos AAA em qualquer lugar deixou de ser uma promessa vaga, mas sim uma experiência concreta.
Quantos boomers, millennials e até a geração Z imaginaram um dispositivo capaz de oferecer potência de PC num formato portátil, sem compromissos reais. Agora, a ASUS responde a esse desejo com uma proposta madura, refinada e claramente focada no utilizador exigente.

A ASUS ROG Ally X marca um passo decisivo na evolução das consolas portáteis Windows. Não só se trata de uma segunda geração, mas sim de uma versão refinada e significativamente melhorada da proposta original. Quando comparada à primeira ROG Ally, a Ally X apresenta ganhos tangíveis em autonomia, ergonomia e, sobretudo na refrigeração dos componentes.
Não menos importante, a consola posiciona-se como um rival direto ao Steam Deck OLED, embora com valor de aquisição distintos.
Design e Ergonomia
A caixa que acomoda esta unidade é desde logo motivo de elogios. Ainda que de forma paralelepipedal, assim que abrimos a caixa é de notar desde logo o destaque para a sensação privilegiada do que é ter uma consola portátil.
Os acessórios são os necessários, ponto. Por outras palavras, o essencial é mesmo a consola, um carregador rápido e um cabo para recarregar a bateria e desfrutar, assim, ao máximo desta beleza tecnológica.

A consola possui uma pega firme, equilibrada. O redesenho ergonómico da Ally X face à sua antecessora representa uma melhoria tangível. A consola está mais equilibrada devido à redistribuição do peso. Assim sendo, o centro de gravidade posiciona-se estrategicamente na zona entre o polegar e indicador durante a preensão.
As pegas físicas aumentaram de altura em apenas 4,5 mm, mantendo portabilidade enquanto oferece apoio mais substancial. A curvatura foi contornada com cuidado, e a traseira apresenta textura com tema ROG que oferece aderência segura sem adicionar peso significativo.
Os controlos foram reposicionados subtilmente. O D-Pad recebeu refinamentos, oferecendo entrada de oito direções mais precisa para jogos de luta e retrogames.
Já os botões frontais adquiriram forma de cúpula plana, tornando-se mais confortáveis de premir com clique tátil definido e menor oscilação.
Também os joysticks se afastaram ligeiramente um do outro para uma melhor ergonomia. Suportam cerca de 5 milhões de ciclos de rotação, o dobro dos 2,5 milhões da versão anterior. Ainda, as molas estão mais rígidas, oferecendo curva de resposta mais familiar a jogadores de longa data com controlos Xbox ou PlayStation.
A sensação ao segurar a Ally X é como se estivesse a segurar um comando de Xbox e não uma consola portátil.
Display e Experiência Visual
A ASUS manteve-se fiel à geração anterior ao equipar o Ally ROG X com um painel IPS de 7 polegadas com resolução Full HD (1920 x 1080), taxa de atualização de 120 Hz e tempo de resposta de 7ms. O brilho atinge uns notáveis 500 nits, conferindo, assim, visibilidade adequada mesmo em ambientes luminosos exteriores.
Dispõe de uma com cobertura sRGB de 100%, contraste 1000:1. Para uma camada adicional de proteção conta com revestimento Corning Gorilla Glass DXC que reduz os reflexos para valores inferiores a 0,6%, comparados aos 4% de um vidro não revestido. Desta forma, a legibilidade mesmo sob a luz direta é garantida.

A principal crítica dirigida ao painel centra-se na ausência de tecnologia OLED. Enquanto consolas da concorrência oferecem pretos verdadeiros, contraste infinito e cores mais saturadas, o painel LCD da Ally X mantém cores aceitáveis, ainda que não excecionais em termos de precisão cromática.
Para utilizadores gaming mais ávidos, a diferença impacta principalmente em cenários noturnos ou com muitos pretos. Para a maioria dos utilizadores isso passa despercebido, pois o painel acumula mérito através do seu brilho superior.
Processador e Performance
O processador que acompanha o ASUS ROG Ally X é o AMD Ryzen Z1 Extreme, construído em processo de fabrico de 4nm com arquitetura Zen 4. Dispõe de 8 núcleos e 16 threads, atingindo frequências de boost até 5,1 GHz.
Em termos de poderio gráfico, o equipamento recorre a uma GPU AMD baseada na arquitetura RDNA 3, com 12 unidades de computação, frequências até 2,7 GHz e um desempenho que pode chegar aos 8,6 teraflops.

Apesar de que esta vantagem em termos brutos não se traduz diretamente numa experiência substancialmente superior ao jogar, a ASUS ROG Ally X permite sessões de jogo confortáveis, sobretudo em títulos otimizados ou com resoluções e definições reduzidas. A diferença torna-se mais evidente em títulos graficamente exigentes sem otimização prévia.
Memória e Armazenamento
A Ally X conta com 24 GB de Memória RAM LPDDR5 a 7500 MT/s (ou LPDDR5x-8000 nalgumas variantes). Por isso, será correto deduzir que a memória extra traduz-se em tempos de carregamento marginalmente mais rápidos e melhor desempenho em cenários de multitarefa intensiva.
O armazenamento interno é conseguido através de um SSD NVMe M.2 2280 de 1 TB com interface PCIe 4.0. O SSD é facilmente permutável pelo utilizador, permitindo expansão futura ou substituição sem comprometer a garantia.
Autonomia
A inclusão de uma bateria de 80 Wh representa uma das mudanças mais impactantes da Ally X. A geração anterior oferecia apenas 40 Wh, o que significa que com esta geração podes jogar durante o dobro do tempo, por certo, analiticamente falando!
Em testes do mundo real, certamente a autonomia varia substancialmente consoante o modo de operação escolhido. Ora vejamos, no modo “Desempenho” (15W de consumo), a consola atinge aproximadamente 3-3,5 horas de jogo contínuo. No modo “Turbo” (25W de consumo), observa-se redução para cerca de 2-2,5 horas. Em cargas de trabalho leves (emuladores, jogos 2D), é possível prolongar a utilização até 5 horas em configurações de poupança de energia.
Esta unidade vem, ainda, equipada com tecnologia de carregamento rápido que permite, assim, o carregamento de 0% até 50% em apenas 30 minutos. Este fator revela-se particularmente útil, e até, vejamos saudável. Enquanto se faz uma pausa entre sessões de jogo, a consola fica disponível para entrar novamente em atividade.
Arrefecimento
Com toda a certeza esta temática merece ser tópico de análise. Ora vejamos, num equipamento de dimensões tão reduzidas como a consola em análise levanta-se questões de arrefecimento e termodinâmica. Se para um computador portátil, vulgar, precisamos de garantir o arrefecimento de componentes críticos como o CPU, num dispositivo tão pequeno o desafio para o departamento de engenharia da ASUS ainda é maior.
Para fazer face a esta questão, o sistema inclui heatpipes especialmente concebidos para funcionarem com máxima eficiência em qualquer orientação, permitindo jogo confortável segurando a consola de formas variadas.
Existem três saídas de ar (comparado a anteriormente duas), melhorando a circulação de ar fresco. As ventoinhas foram redesenhadas: agora com espessura de apenas 0,15 mm, permitem maior densidade de pás e aumento geral do fluxo de ar em 10%. Para um funcionamento silencioso utilizam rolamento fluido de baixa fricção mesmo em orientações não convencionais.

Os dissipadores incluem aletas de alumínio ultrafinas com apenas 0,1 mm de espessura. Cada dissipador contém até 102 aletas, totalizando 12.173 mm² de área de superfície. Esta densidade extrema de aletas facilita a dissipação sem sacrificar a portabilidade.
Na prática, a consola mantém-se quente ao toque durante jogo intenso, mas nunca atinge temperaturas desconfortáveis para o utilizador.
Conectividade e Expansibilidade
No que diz respeito as especificações de conectividade e expansibilidade a ROG Ally X conta com de duas portas USB Type-C que Thunderbolt, abrindo, assim, decerto, possibilidades interessantes como ligação a placas gráficas externas (eGPU) ou monitores de alta resolução.

Possui, ainda, suporte para Wi-Fi 6E (802.11ax), proporcionando, sobretudo, conectividade wireless de banda larga. O Bluetooth 5.3 garante, ainda, compatibilidade com acessórios sem fios, nomeadamente auriculares para uma experiência mais imersiva.
Software e Experiência de Sistema
A ROG Ally X corre o Windows 11 na versão Home. Isto permite acesso ilimitado a qualquer catálogo de jogos das ademais lojas: team, Epic Games Store, Game Pass. Contudo, requer uma atenção redobrada. Desde já exige atualizações permanentes, e compatibilidade com drivers gráficos, bem como potencial bloatware fabricante.
Inegavelmente, a ASUS fornece a sua interface de usuário ROG Ally (denominado “GameMaster”), permitindo acesso rápido a bibliotecas de jogos. O menu está acessível através de um botão dedicado na própria consola.
No entanto, a fluidez é bastante questionável. Os menus não são muito intuitivos e a curva de aprendizagem ainda é elevada para tirar real partido das potencialidades.

A fim de resolver algumas questões importantes de interoperabilidade relacionadas com Windows, muitos utilizadores instalaram alternativas como Ubuntu com Proton.
No entanto, existe mesmo quem mantenha a Steam em modo Big Picture, replicando mais fielmente a experiência SteamOS. O que acaba por ser um completo contrassenso, na minha opinião.
Relação Preço-Desempenho
O preço representa, porventura o verdadeiro calcanhar de aquiles da Ally X. A consola está disponível por 899,99€, um preço pouco apetecível com outras soluções disponíveis.
No entanto, para jogadores que priorizam máxima performance e versatilidade, a Ally X é uma escolha clara.
Comparação Directa
Embora o principal rival do ASUS ROG Ally X seja o Steam Deck, a escolha entre estas duas consolas depende fortemente das prioridades do utilizador. Embora ambas sejam apelativas, no entanto carecem de diferenças que podem fazer diferença na altura da compra. Apresentamos apenas aqui os pontos forte de cada proposta.
| Vantagens ROG Ally X |
- Performance bruta substancialmente superior (30-35% mais rápida em muitos títulos)
- Autonomia marginalmente melhor em modo de desempenho (3,5h vs. 2,5h)
- Armazenamento nativo de 1 TB
- Memória mais abundante 24 GB
- Suporte para eGPU e Thunderbolt
- Joysticks com durabilidade dupla
- Ergonomia aperfeiçoada
| Vantagens Steam Deck OLED |
- Ecrã OLED com contraste infinito e cores saturadas
- Trackpads traseiros para maior versatilidade de controlo
- Quatro botões traseiros programáveis
- Ecossistema SteamOS mais polido e otimizado
- Preço inferior (cerca de 36% menos em Portugal)
- HDR suportado nativamente
- Melhor biblioteca de jogos otimizados
A diferença de preço é significativa, vejamos, a Ally X custa aproximadamente 200 EUR a mais do que o Deck OLED em Portugal. Neste sentido, esta margem apenas se justifica se priorizas principalmente performance bruta máxima versus a versatilidade que só o sistema operativo Windows proporciona.
Considerações Finais
Em conclusão, a ASUS ROG Ally X consolida-se como refinamento bastante positivo face à geração anterior. As melhorias encontradas em ergonomia, autonomia e dissipação térmica são mensuráveis e bem executadas. Apesar de tudo, o hardware é indiscutivelmente poderoso, capaz de entregar experiências gaming premium em qualquer contexto portátil.
Por fim, existe apenas a sensação que a ASUS devia aprimorar mais a interface de utilizador de forma a ser mais intuitiva e fácil de navegar. No entanto, apesar de tudo, posiciona-se como uma excelente compra para qualquer gamer digno de seu nome.
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