Depois de ter sido uma das primeiras grandes tecnológicas a apostar na encriptação de ponta a ponta, a Meta prepara-se agora para dar um passo atrás. Com efeito, a empresa anunciou que vai desativar as mensagens encriptadas no Instagram a partir de 8 de maio de 2026. Por conseguinte, a mudança gerou surpresa e preocupação entre defensores da privacidade online. Isto é, os utilizadores que tenham conversas protegidas por esta tecnologia irão receber instruções sobre como descarregar as mensagens e os ficheiros antes da data limite.
Igualmente, a decisão surge num contexto de forte pressão internacional sobre o equilíbrio entre privacidade e segurança infantil. Ou seja, governos nos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia exigem que as plataformas criem mecanismos para detetar material abusivo. Mesmo em comunicações privadas. Entre essas medidas, destacam-se o regulamento europeu conhecido como “Chat Control” e a Lei de Segurança Online britânica, aprovada em 2023.
Meta permite guardar conversas antes do fim de prazo
Ao mesmo tempo, a Meta enfrenta um processo judicial de alto perfil no Novo México, onde é acusada de não proteger adequadamente menores nas suas plataformas. De facto, documentos internos divulgados durante o julgamento mostram que vários executivos manifestaram preocupações sobre o impacto da encriptação nas investigações de abuso sexual infantil. Não obstante, um perito ouvido pelo tribunal classificou a decisão da empresa como “uma oportunidade perdida para salvar uma criança”.
Enquanto o Facebook Messenger, que também passou a usar encriptação por defeito em 2023, ainda não tem o seu futuro definido, cresce o debate sobre o rumo que a Meta pretende seguir.
Em suma, especialistas em privacidade alertam que esta poderá ser a primeira vez que uma grande empresa tecnológica recua numa funcionalidade de encriptação já adotada, estabelecendo um precedente preocupante. Finalmente, para muitos utilizadores, esta mudança reforça a importância de recorrer a alternativas independentes, como o Signal, que continuam a garantir comunicações verdadeiramente privadas.
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