A OpenAI vai introduzir a política de marca de água no ChatGPT para ajudar a identificar textos gerados por IA na União Europeia, incluindo Portugal. A novidade abrange também o Codex e chegará nas próximas semanas aos conteúdos elegíveis, através de um sinal invisível para quem lê.
Segundo o anúncio da OpenAI, publicado a 5 de outubro, a implementação abrange todos os planos. Já os clientes da API podem ativar a funcionalidade em modelos selecionados, em qualquer região, embora esta permaneça desligada por predefinição.
Como funciona a marca de água no ChatGPT
A tecnologia chama-se textGrain e atua durante a geração da resposta. Os modelos constroem o texto escolhendo sucessivamente palavras ou fragmentos de palavras, conhecidos como tokens. O sistema ajusta essa escolha para deixar um padrão estatístico que um detetor consegue procurar posteriormente.
O relatório técnico explica que a deteção usa o texto e uma chave secreta. Ou seja, o sinal está na forma como a resposta é construída. Segundo a documentação de apoio, não há caracteres escondidos, espaços invisíveis ou pontuação especial acrescentados ao conteúdo.
A deteção tem limites, sobretudo em textos curtos
Esse padrão precisa de texto suficiente para se tornar reconhecível. A documentação da OpenAI esclarece que o código de boas práticas europeu não exige marcas em respostas inferiores a 200 tokens ou em excertos de código, onde a deteção é mais difícil.
Mesmo em passagens mais longas, reescritas profundas e traduções podem tornar a marca indetetável. A eficácia também varia entre idiomas, pelo que os resultados de um teste em inglês não permitem assumir o mesmo desempenho em português.
A marca não vai permitir identificar o criador desse texto, nem mede o nível de contribuição. Por isso, encontrar o sinal não demonstra que uma pessoa entregou toda a escrita à IA. Da mesma forma, a ausência de uma marca detetada não prova autoria exclusivamente humana.
O detetor de texto terá inicialmente acesso restrito a investigadores e organizações especializadas, mediante avaliação das candidaturas. Assim, nesta fase, o público em geral fica sem acesso à ferramenta para verificar textos.
O porquê desta medida?
Esta alteração responde ao AI Act, cujo artigo 50.º exige que os fornecedores tornem os conteúdos sintéticos identificáveis por máquinas, dentro do que for tecnicamente viável. Obviamente que a legislação prevê exceções, nomeadamente para determinadas funções de edição assistida que não alterem substancialmente o conteúdo fornecido.
Para quem publica em Portugal, esta distinção importa: a presença de uma marca técnica e as obrigações editoriais são questões diferentes. A revisão dos factos, o contexto e a responsabilidade pelo texto continuam a exigir atenção própria, independentemente do resultado de um detetor.
Fica ainda mais conectado:
- Anthropic já pede autorização para usar conversas de voz do Claude no treino
- IberAnime Porto 2026: o maior festival de cultura japonesa está a chegar
- ReviewBench: GitHub cria benchmark para revisão de código com IA


