A NVIDIA destacou cinco empresas que aplicam IA na energia para acelerar estudos da rede elétrica, aproveitar baterias e apoiar projetos nucleares. A seleção, divulgada a 21 de setembro durante a Climate Week de Nova Iorque, reúne soluções em utilização e tecnologias ainda em desenvolvimento.
IA na energia: avaliar ligações à rede em dois minutos
A ThinkLabs desenvolve gémeos digitais, representações virtuais da rede que permitem simular o seu comportamento. Os seus agentes de IA apoiam o planeamento e procuram soluções para integrar novos consumos e fontes de produção. A empresa combina modelos físicos da rede com aprendizagem automática. T
Segundo a NVIDIA, a Southern California Edison reduziu de 30 a 45 dias para dois minutos o tempo de avaliação de cada pedido de ligação com esta tecnologia. O número refere-se à avaliação: não significa que uma nova instalação fique fisicamente ligada nesse prazo.
Baterias de automóveis ganham uma segunda vida
A Redwood Materials aproveita baterias de veículos elétricos em sistemas de armazenamento para centros de dados. Num projeto com a Crusoe, combina energia solar com baterias reutilizadas numa microrrede de 12 MW de potência e 63 MWh de capacidade.
A empresa indica que construiu esse sistema em menos de quatro meses e reportou uma disponibilidade operacional de 99,2%. São resultados comunicados pela própria Redwood, que anunciou a expansão do projeto em março de 2026.
Na seleção agora publicada, a NVIDIA destaca também o uso da plataforma Blackwell na gestão das necessidades energéticas dos centros de dados. O nuclear recebe ajuda nos documentos e no projeto
A Atomic Canyon trabalha numa tarefa menos visível: facilitar o acesso à informação técnica. As plataformas Neutron e NIVA apoiam profissionais do setor nuclear na consulta de procedimentos, documentação e conhecimento operacional.
Já a TerraPower aposta em gémeos digitais com NVIDIA Omniverse para apoiar o desenvolvimento de futuras centrais.
O seu projeto Natrium combina um reator de 345 MW, arrefecido a sódio, com armazenamento de energia em sais fundidos. Segundo a TerraPower, esta combinação pretende tornar a produção mais flexível e complementar redes com elevada presença de renováveis. A empresa está a construir a primeira central no Wyoming, nos Estados Unidos.
Fusão nuclear: a meta comercial continua na década de 2030
A Commonwealth Fusion Systems também recorre a ferramentas da NVIDIA para apoiar o desenvolvimento do SPARC.
Este equipamento experimental procura demonstrar um plasma de fusão que produza mais energia do que recebe para o seu aquecimento. Na página técnica consultada, a empresa mantém o primeiro plasma e o ganho energético entre os marcos por concretizar. O SPARC é uma etapa de demonstração, anterior à futura central comercial ARC.
A CFS aponta para o início da década de 2030 e cerca de 400 MW na primeira ARC, prevista para a Virgínia. Trata-se de uma meta da empresa, dependente do desenvolvimento e da demonstração da tecnologia.
Porque interessa acompanhar estes projetos em Portugal?
Os dados nacionais ajudam a perceber a relevância da gestão da rede. Segundo a REN, as renováveis abasteceram 66% do consumo de eletricidade entre janeiro e agosto de 2026. A hidroelétrica representou 25%, a eólica 23%, a solar 13% e a biomassa 5%.
Neste contexto, o planeamento e o armazenamento parecem ser as aplicações com ligação mais direta aos desafios portugueses. É uma leitura destes projetos, não um anúncio da sua chegada ao país. Avaliar a utilidade local exigirá conhecer custos, condições de integração e resultados nas nossas redes.
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