Se queres poupar bateria no telemóvel e chegar ao fim do dia sem andar à procura de uma tomada, o primeiro sítio a mexer é nas definições do ecrã. A saber, o ecrã é dos componentes que mais energia gastam enquanto usas o telemóvel. Fica já a dica: baixar o brilho reduz o consumo de um ecrã OLED muito mais do que mudar para o tema escuro.
A boa notícia é que não precisas de instalar nenhuma app nem de abdicar de qualquer função do teu smartphone. As cinco mudanças que te mostramos fazem-se em poucos toques, num iPhone ou num Android, e para cada uma dizemos-te onde está e em que situações compensa mesmo.
1. Brilho automático e tempo até o ecrã apagar para poupar bateria
Dentro do ecrã, o brilho é o que mais conta. Segundo os investigadores de Purdue, baixar o brilho de 100% para 50% reduz cerca de dez vezes o consumo de um ecrã OLED.
Não tens de andar com o telemóvel às escuras. Liga o brilho automático e deixa-o trabalhar por ti: sobe quando estás ao sol e desce quando estás no sofá, onde o máximo raramente faz falta. Aproveita também para encurtar o tempo até o ecrã apagar. Sabes aqueles minutos em que o telemóvel fica aceso em cima da mesa depois de o pousares? É bateria que se vai sem proveito. Para a maioria das pessoas, 30 segundos chegam.
- Android (Pixel): Definições > Ecrã > Brilho adaptável; Definições > Ecrã > Limite de tempo do ecrã.
- Android (Samsung): Definições > Visor > Brilho adaptável; Definições > Visor > Tempo limite do ecrã.
- iPhone: Definições > Acessibilidade > Ecrã e tamanho do texto > Brilho automático; Definições > Ecrã e brilho > Bloqueio automático.
Impacto prático
É a mudança que mais se nota, sobretudo se costumas ter o brilho fixo no máximo ou passas muito tempo ao ar livre.
2. Tema escuro (só em ecrãs OLED)
Se és fã do tema escuro, há uma boa e uma má notícia, e tudo depende do ecrã do teu telemóvel. Nos OLED, cada píxel produz a sua própria luz e os píxeis pretos ficam apagados, por isso um fundo escuro gasta menos. Nos LCD, a luz de fundo está sempre ligada e o tema escuro não poupa nada: fica só como questão de gosto.
O ganho depende, mais uma vez, do brilho. No estudo de Purdue, com o brilho a 100%, mudar para o tema escuro poupou em média 39% a 47% de energia. Com o brilho entre 30% e 50%, a poupança caiu para 3% a 9%. Os testes foram feitos em quatro telemóveis Android (Pixel 2, Moto Z3, Pixel 4 e Pixel 5), com seis apps da Google.
- Android (Pixel): Definições > Ecrã > Tema escuro.
- Android (Samsung): Definições > Visor > Escuro.
- iPhone: Definições > Ecrã e brilho > Escuro.
Impacto prático
Compensa se usas o telemóvel muitas vezes com brilho alto, por exemplo na rua. Com brilho moderado, a diferença é pequena, mas também não perdes nada em ativá-lo.
3. Taxa de atualização do ecrã
Repara como a imagem desliza quando percorres o feed do Instagram. Essa fluidez vem da taxa de atualização: os ecrãs de 90 Hz ou 120 Hz mostram mais imagens por segundo do que os 60 Hz tradicionais, e isso tem um custo na bateria.
Nos modelos mais recentes, o modo adaptável resolve grande parte do problema: o ecrã só sobe a frequência quando há movimento e baixa-a quando a imagem está parada. Confirma que é esse o modo ativo. Se a autonomia te importa mais do que a fluidez, podes ir mais longe e fixar os 60 Hz.
- Android (Pixel): Definições > Ecrã > Smooth Display (desligar para 60 Hz).
- Android (Samsung): Definições > Visor > Fluidez do movimento > Adaptável ou Padrão.
- iPhone com ProMotion: Definições > Acessibilidade > Movimento > Limitar frequência de fotogramas.
Impacto prático
Faz mais diferença em telemóveis sem modo adaptável ou nos dias em que precisas de esticar a bateria até à noite.
4. Ecrã sempre ligado
Sabes aquele relógio que fica a brilhar no ecrã mesmo com o telemóvel bloqueado? É o ecrã sempre ligado (Always On Display). Dá jeito para espreitar as horas e as notificações sem pegar no telemóvel, mas mantém parte do ecrã aceso o dia inteiro, incluindo as horas em que está no bolso ou na mala.
Se raramente olhas para ele, desliga-o: provavelmente nem vais dar pela falta. Se não abdicas da função, os Samsung têm um meio-termo, que é mostrá-lo só quando tocas no ecrã ou durante um horário à tua escolha.
- Android (Pixel): Definições > Ecrã > Ecrã de bloqueio > Mostrar sempre a hora e as informações.
- Android (Samsung): Definições > Ecrã de bloqueio e AOD > Always On Display.
- iPhone (modelos compatíveis): Definições > Ecrã e brilho > Sempre ligado.
Impacto prático
Como o consumo é contínuo, nota-se mais nos dias de pouco uso, em que o telemóvel passa horas bloqueado.
5. Apps em segundo plano e localização
Nem toda a bateria se gasta no ecrã. Há apps que continuam a trabalhar mesmo quando não lhes tocas há horas: atualizam conteúdos, sincronizam dados ou querem saber onde estás. Se lhes cortares essa liberdade nas que não precisam dela, poupas bateria e, de caminho, dados móveis.
O melhor ponto de partida é o ecrã de utilização da bateria, que mostra as apps que mais gastam. Com essa lista à frente, limita a atividade em segundo plano das que não precisam de estar sempre ativas e muda o acesso à localização para “só durante a utilização”.
- Android (Pixel): Definições > Bateria > Utilização da bateria; Definições > Localização > Autorizações de apps.
- Android (Samsung): Definições > Bateria > Limites de utilização em segundo plano; Definições > Localização > Autorizações de apps.
- iPhone: Definições > Bateria; Definições > Geral > Atualização em segundo plano; Definições > Privacidade e segurança > Serviços de localização.
Impacto prático
O ganho depende das apps que tens instaladas. Às vezes basta uma app mal comportada para gastar mais do que todas as outras juntas.
O que não vale a pena fazer
Lembras-te do mito de que falámos no início? É fechar todas as apps na multitarefa antes de guardar o telemóvel. Se o fazes, podes poupar-te ao trabalho, porque não poupa bateria.
Questionado sobre se o fazia e se isso ajudava a bateria do iPhone, Craig Federighi, responsável pelo software da Apple, respondeu “não” às duas perguntas. A própria Apple recomenda fechar uma app à força apenas quando ela deixa de responder.
A razão é simples. As apps que aparecem na multitarefa estão, na maioria, suspensas e quase não gastam energia. Quando fechas uma e voltas a abri-la, o telemóvel tem de a carregar do zero, o que pode gastar mais do que deixá-la estar. A exceção são as apps que trabalham mesmo em segundo plano, como a navegação GPS, e essas controlam-se melhor com a quinta definição.
Quando a bateria já não chega ao fim do dia
E se, mesmo assim, a bateria continuar a não chegar ao fim do dia? Tens duas saídas. A mais rápida é ativar o modo de poupança de energia nos dias em que sabes que vais passar muito tempo fora: Definições > Bateria > Poupança de bateria (Android) ou Modo de pouca energia (iPhone).
A outra é verificar o estado da bateria, porque a capacidade máxima diminui com o tempo e nenhuma definição compensa uma bateria gasta. No iPhone, o valor está em Definições > Bateria; em muitos Android, nas definições da bateria ou na app de apoio da marca. Se a capacidade estiver muito abaixo da original, trocar a bateria pode sair mais barato do que trocar de telemóvel.

