Quando a Apple anunciou, em 2020, a transição da Intel para os chips Apple Silicon, foi uma das declarações de independência tecnológica mais eloquentes da história da indústria. A Apple estava a dizer que a Intel, um dos maiores fabricantes de processadores do mundo, já não era boa o suficiente para os seus produtos, e que a empresa californiana conseguia fazer melhor por conta própria.
Os resultados dos processdaores M1, M2, M3 e M4 provaram que esta confiança era justificada. Em eficiência energética e em desempenho por watt, os chips Apple Silicon estão genuinamente anos à frente da concorrência nos segmentos que a Apple serve.
Neste sentido, a notícia de que a Apple terá um acordo para voltar a usar chips Intel, mesmo que apenas para componentes específicas como modems ou controladores, é suficientemente surpreendente para merecer uma análise cuidadosa antes de se tirar conclusões precipitadas.
Apple e Intel de novo de mãos dadas?!
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Todavia, o contexto desta possível parceria renovada é diferente. A Intel tem estado em dificuldades significativas nos últimos anos. Perdeu quota de mercado em CPUs para a AMD, falhou nos prazos das suas novas arquitecturas de chips, e viu o seu valor de mercado cair dramaticamente. Uma parceria com a Apple, mesmo em componentes secundários, seria um voto de confiança valioso para a Intel, tanto financeiramente como em termos de credibilidade de mercado. Por outro lado, a Apple tem os seus próprios interesses bem definidos nesta equação.
A questão dos modems é particularmente relevante. A Apple tem lutado durante anos para desenvolver os seus próprios modems 5G. Uma tarefa que provou ser mais difícil do que a empresa antecipou, mesmo com os seus recursos extraordinários em engenharia. Igualmente importante é recordar que a Apple dependeu da Qualcomm para os seus modems durante anos antes de tentar a transição interna.
Intel poderá estar presente mas não do mesmo modo
Se a Intel, que adquiriu os activos de modems da Apple em 2019 numa transacção peculiar que foi quase completamente revertida, tiver desenvolvido soluções competitivas entretanto, faz sentido que a Apple esteja a explorar essa opção.
Consequentemente, o acordo potencial Apple-Intel não contradiz necessariamente a estratégia de silício próprio da Apple, pode ser a expressão mais madura dessa estratégia. Usar chips internos onde a Apple tem uma vantagem clara e indiscutível. E usar fornecedores externos onde o desenvolvimento interno ainda não atingiu a qualidade necessária. Sobretudo, é uma abordagem pragmática que separa o orgulho corporativo das decisões de engenharia.
Em suma, a Apple e a Intel podem estar a descobrir que a “independência total” é um objectivo mais complexo do que parecia em 2020. E que, por vezes, os melhores parceiros são os que se deixaram para trás.
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