Na sua conferência anual para programadores, a Build 2026, realizada em São Francisco, a Microsoft revelou novos modelos de inteligência artificial desenvolvidos internamente. Isto é, incluindo o MAI-Thinking-1 (o seu primeiro modelo de raciocínio proprietário), bem como um novo modelo de programação criado para reforçar o GitHub Copilot.
Estas novidades representam um passo decisivo no esforço da empresa para construir as suas próprias capacidades de IA, em paralelo com a parceria já estabelecida com a OpenAI.
Os anúncios foram apresentados pelo CEO Satya Nadella durante a sua conferência de abertura no Fort Mason Center, em São Francisco. Além disso, Mustafa Suleyman, presidente da divisão Microsoft AI, assumiu a apresentação dos novos modelos, confirmando o papel crescente da sua equipa no ecossistema tecnológico da empresa.
A Família MAI ganha novos membros
A família MAI continua a expandir-se de forma consistente. O MAI-Thinking-1 é descrito como um modelo de linguagem de peso médio, optimizado para tarefas de conversação e raciocínio complexo.
Importa ainda destacar que a Microsoft não recorreu a técnicas de destilação para o desenvolver, ou seja, o modelo não se treinou a partir das respostas de outro sistema de IA existente. Para além disso, a conferência contou com versões actualizadas do MAI-Image-2.5 e do MAI-Voice-2, alargando assim o portefólio de modelos proprietários da empresa.
Um mercado em expansão e uma estratégia clara para a Microsoft
No que diz respeito ao mercado de ferramentas de programação com IA, a competição é cada vez mais intensa. De acordo com dados da Mordor Intelligence, o sector estava avaliado em 9,35 mil milhões de dólares em 2026 e deverá crescer a uma taxa anual composta superior a 26%, atingindo quase 30 mil milhões de dólares até 2031.
Neste contexto, o novo modelo de programação da Microsoft posiciona o GitHub Copilot para competir directamente com o Claude Code da Anthropic e o Codex da OpenAI, podendo igualmente reduzir os custos para clientes empresariais.
Por outro lado, esta estratégia reflecte também uma mudança mais ampla na Microsoft. Desde finais de 2025, a empresa tem vindo a acelerar o desenvolvimento interno de modelos com o objetivo de reduzir a dependência de fornecedores externos e diminuir os custos associados ao alojamento de modelos parceiros na infraestrutura Azure.
O GitHub Copilot já disponibiliza aos programadores modelos da OpenAI, da Anthropic e da Google, e a integração de um modelo próprio reforça. Portanto, a aposta da Microsoft na autonomia tecnológica.
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