IA nas empresas portuguesas: só 15% usam e UE alerta

O atraso de Portugal face ao resto da Europa é mais que evidente. No que diz respeito ao uso de IA nas empresas portuguesas, só 15% das empresas usam esta tecnologia nas suas operações. O dado surge no mais recente relatório da Década Digital da Comissão Europeia e coloca o país longe da meta definida por Bruxelas para 2030.

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O objetivo definido por Bruxelas é claro: 75% das empresas devem usar inteligência artificial, cloud ou análise de dados até ao final da década. Em Portugal, porém, a adoção continua lenta. Há sinais positivos, mas o ritmo atual não chega para acompanhar os países mais avançados.

IA nas empresas Portuguesas, o problema está nas PME

O busílis está nas pequenas e médias empresas. Muitas ainda olham para a IA como uma ferramenta distante, cara ou difícil de aplicar. No entanto, a tecnologia já pode ajudar em tarefas simples, como responder a clientes, analisar documentos, criar campanhas, prever vendas ou organizar processos internos.

Além disso, o atraso não resulta apenas da falta de ferramentas. Hoje existem soluções acessíveis, fáceis de testar. O verdadeiro bloqueio passa pela falta de conhecimento, pela ausência de estratégia e pelo receio de mexer em processos antigos.

Grandes empresas avançam mais depressa

Existe uma disparidade considerável no que toca à implementação destas soluções por grandes empresas. As grandes organizações têm equipas técnicas, orçamento e capacidade para experimentar novas soluções. Por isso, avançam mais depressa. Já as pequenas empresas dependem muitas vezes de decisões rápidas, tomadas por equipas reduzidas e sem apoio especializado.

Esta diferença cria um risco evidente. Se a IA aumentar produtividade, velocidade e eficiência, quem ficar parado perde o comboio da competitividade. Não se trata apenas de automatizar tarefas. Trata-se de decidir melhor, vender melhor e responder mais depressa ao mercado.

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Portugal tem condições, mas precisa de execução

IA nas empresas portuguesas
Infográfico. Atraso da implementação de IA nas empresas portuguesas

Portugal tem tudo. Falta-se cumprir em boa verdade.

Em mais detalhe, tem boa conectividade, talento tecnológico e um ecossistema crescente de startups. Portanto, o país não parte do zero. Ainda assim, esses pontos fortes só geram impacto quando chegam ao tecido empresarial real.

A Agenda Nacional de Inteligência Artificial foi criada para tentar responder a esse desafio. O plano aponta para mais investimento, melhor uso de dados e maior adoção no Estado e nas empresas. Porém, o sucesso vai depender da execução. Sem formação prática, incentivos simples e exemplos concretos por setor, muitas empresas vão continuar de fora.

O que muda agora

A IA já deixou de ser uma promessa distante. Para muitas empresas, tornou-se uma ferramenta de sobrevivência. Portugal ainda pode recuperar terreno, mas precisa de acelerar.

A pergunta já não é se as empresas portuguesas vão usar IA. A pergunta é quantas vão conseguir fazê-lo a tempo.

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David Ventura
David Ventura
A simbiose entre a vida quotidiana e o prazer do desfrutar da tecnologia. O meu objetivo é claro. Ajudar quem lê a tomar decisões informadas através de linguagem clara, análises honestas e sem filtros comerciais. Encontra mais conteúdo em: IG: @davidventura.ph