A produtora de cinema com inteligência artificial Fountain 0, liderada pelo realizador iraniano-britânico Ash Koosha, apresentou Odysseus: The Fall, uma adaptação de 135 minutos da Odisseia de Homero. O lançamento foi estrategicamente marcado para coincidir com a atenção mediática em torno de The Odyssey, de Christopher Nolan, que chega às salas de cinema esta semana.
Produzido quase inteiramente com recurso a tecnologias de IA generativa, o filme terá custado uma fração do orçamento da superprodução de Nolan. Assim, a Fountain 0 pretende demonstrar que histórias de grande escala podem ser realizadas fora dos modelos tradicionais e dispendiosos de Hollywood.
Odyssey é o filme do momento, com ou sem IA
Koosha já tinha realizado Dreams of Violets, que se tornou, no início deste ano, a primeira longa-metragem totalmente gerada por IA a ser selecionada para o Festival de Tribeca. Desta vez, a produtora apresenta Odysseus: The Fall como uma prova de conceito para um novo modelo de produção no cinema independente.
O contraste entre os dois projetos é evidente. The Odyssey, de Nolan, conta com Matt Damon no papel de Odisseu e reúne nomes como Tom Holland, Anne Hathaway, Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o e Charlize Theron. Além disso, foi filmado em vários locais do mundo com nova tecnologia de película IMAX e terá tido um orçamento de cerca de 250 milhões de dólares.
David contra Golias no cinema
Por outro lado, Odysseus: The Fall representa uma alternativa de baixo custo assente em ferramentas de inteligência artificial. Koosha defende que esta tecnologia pode reduzir drasticamente os custos associados à criação de universos visuais ambiciosos, permitindo a realizadores independentes concretizar projetos que, até agora, exigiriam orçamentos de blockbuster.
Ainda assim, o realizador salienta que a IA deve ser encarada como uma ferramenta ao serviço da narrativa, e não como substituta da criatividade humana. Contudo, o lançamento reforça o debate crescente em Hollywood sobre o impacto da inteligência artificial: enquanto alguns profissionais veem potencial para acelerar processos e reduzir custos, outros alertam para os riscos para os empregos criativos e para a originalidade artística.
A receção do público a longas-metragens criadas com IA continua a ser uma incógnita. No entanto, ao estrear tão perto da produção de Nolan, a Fountain 0 garante que a discussão sobre o futuro da inteligência artificial no cinema ganhará ainda mais visibilidade.
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