IA – Big Tech acumula 300 mil milhões em garantias financeiras

As maiores empresas de tecnologia emitiram cerca de 300 mil milhões de dólares em garantias financeiras no último ano para financiar centros de dados e aquisição de chips dedicados à inteligência artificial. A informação, avançada pelo Financial Times, revela uma tendência crescente: estas empresas estão a assumir compromissos massivos fora do balanço, registando apenas uma fração da exposição real. 

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Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Oracle recorrem a estas estruturas para reduzir custos de financiamento, aproveitando as suas elevadas classificações de crédito. Ao mesmo tempo, mantêm grande parte das responsabilidades financeiras confinadas às notas de rodapé, longe dos números que aparecem nos relatórios principais. 

Como funcionam estas estruturas financeiras 

As garantias são tratadas como passivos contingentes segundo as normas contabilísticas atuais. Isto significa que as empresas só reportam a probabilidade modelada de perda, e não o valor total garantido.

Num dos acordos descritos, a Alphabet garante pagamentos de leasing da Fluidstack, uma fornecedora de cloud para IA que constrói centros de dados equipados com TPUs da Google e aluga capacidade à Anthropic. Graças à garantia, os financiadores conseguem taxas mais baixas; já a Alphabet regista a obrigação como um derivado de crédito, contabilizando apenas 815 milhões de dólares em perdas prováveis, face a uma exposição total de 43,8 mil milhões. 

A Nvidia também entrou no jogo: comprometeu 105 mil milhões de dólares em garantias para um campus de centros de dados da Energy e SoftBank, no Ohio, destinado à OpenAI. A empresa não reconhece qualquer passivo até que os contratos de leasing comecem, o que só acontecerá em 2028. 

A Meta seguiu uma abordagem diferente. O seu centro de dados Hyperion, avaliado em 50 mil milhões de dólares, foi estruturado através de uma special purpose vehicle maioritariamente detida pela Blue Owl Capital. Cerca de 27 mil milhões em empréstimos provenientes da Pimco, BlackRock e Apollo nunca aparecem nos livros da Meta.

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Um fenómeno muito maior do que parece 

Os 300 mil milhões em garantias representam apenas uma camada de um movimento financeiro muito mais vasto. Uma análise do Wall Street Journal publicada em agosto identificou quase 3 biliões de dólares em compromissos fora do balanço relacionados com IA, distribuídos por nove grandes empresas tecnológicas e de semicondutores, quase cinco vezes o total de capital reportado oficialmente. 

A Moody’s já tinha alertado para esta tendência: as despesas de capital combinadas dos principais hyperscalers deverão atingir 785 mil milhões de dólares em 2026.

Embora as agências de rating incluam estas garantias nas suas avaliações de risco, o desfasamento entre o que é divulgado em notas de rodapé e o que aparece nos balanços está a alimentar um debate crescente sobre se as normas GAAP captam adequadamente os riscos financeiros da corrida à IA. 

Mineração de Bitcoin juntase à corrida da infraestrutura 

A escala do financiamento de centros de dados já ultrapassa as Big Tech. A CleanSpark, empresa de mineração de Bitcoin, emitiu 2,276 mil milhões de dólares em obrigações sénior garantidas com taxa de 7,875% e maturidade em 2031. Os fundos serão usados no campus de Sandersville, na Geórgia, projetado para servir tanto operações de mineração como cargas de computação de alto desempenho. 

Este movimento reflete uma mudança estratégica: os mineradores estão a reposicionar terrenos energéticos e infraestrutura para atrair clientes de IA e cloud, um sinal claro de que a procura por capacidade computacional está a reconfigurar setores inteiros.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.