O CEO da Revolut, Nik Storonsky, está no centro de uma batalha legal em Londres por causa de uma comissão de €17,5 milhões reclamada pela corretora Cecil Wright & Partners. O ponto-chave? A defesa afirma que Storonsky identificou o antigo proprietário do superiate Nixie (avaliado em €350 milhões) através de uma pesquisa feita com ChatGPT, e não graças ao trabalho da corretora.
Segundo documentos judiciais, Storonsky “descobriu” que o empresário canadiano Patrick Dovigi tinha sido o proprietário anterior do iate após uma pesquisa em ChatGPT baseada em informação pública. Esse detalhe é agora central para argumentar que a corretora não desempenhou qualquer papel na ligação entre Storonsky e o vendedor final.
Como o negócio mudou de mãos e o envolvimento Revolut
A relação entre a família de Storonsky e a corretora começou em outubro de 2024, quando o escritório familiar contactou a Cecil Wright para comissionar um novo iate. Meses depois, em julho de 2025, pediu ajuda para encontrar um navio existente que pudesse usar enquanto aguardava a construção.
A corretora identificou o Nixie, então em construção no estaleiro da Lürssen, na Alemanha, e organizou uma inspeção. Storonsky terá oferecido cerca de €300 milhões.
Na altura, o iate pertencia ao banqueiro brasileiro Daniel Vorcaro. Contudo, em novembro de 2025, Vorcaro foi detido no âmbito de uma investigação de fraude ligada ao Banco Master (acusações que nega) e as negociações através da corretora colapsaram. A propriedade do iate regressou então a Patrick Dovigi, fundador da GFL Environmental, que o tinha originalmente encomendado.
Storonsky acabou por comprar o iate diretamente a Dovigi em janeiro de 2026, por aproximadamente €350 milhões.
A versão da corretora: “fomos a causa efetiva da venda”
A Cecil Wright apresentou a sua ação em julho de 2026, exigindo 5% de comissão sobre o valor final da compra. A empresa argumenta que foi a causa efetiva do negócio: encontrou o iate, apresentou-o ao comprador, organizou a inspeção e manteve contacto durante vários meses. Alega ainda que Storonsky e Dovigi concluíram o acordo em privado para evitar o pagamento da comissão. A defesa de Storonsky contesta. Afirma que:
- As negociações com Vorcaro e a compra a Dovigi foram transações distintas
- A corretora escondeu a verdadeira propriedade do iate
- A Cecil Wright não apresentou Storonsky a Dovigi
- A corretora não negociou o acordo final
A empresa mantém a sua versão e promete apresentar provas em tribunal. As alegações ainda não foram testadas em tribunal, mas o caso já se tornou um dos mais mediáticos envolvendo tecnologia, luxo e disputas de corretagem.
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