Um grupo de investigadores de topo, incluindo Jakub Pachocki (OpenAI), Jack Clark (Anthropic), Eric Horvitz (Microsoft) e Dawn Song (Meta), publicou um documento a pedir que reguladores investiguem até que ponto as empresas já automatizaram a investigação em IA.
O aviso, citado pelo The Wall Street Journal, alerta para a possibilidade de uma “explosão de inteligência”, em que sistemas capazes de se melhorar autonomamente comprimem anos de progresso em meses e ultrapassam a capacidade humana de supervisão.
A preocupação não é nova dentro dos próprios laboratórios. Em setembro, Pachocki escreveu que modelos de IA já conseguem operar computadores, colaborar com humanos e conduzir projetos de investigação, e que a auto‑melhoria recursiva está iminente. A OpenAI anunciou que atingiu o objetivo de construir um “estagiário de investigação automatizado” até setembro de 2026. Mais de 1.000 funcionários de grandes empresas de IA assinaram em julho um apelo ao governo dos EUA para “ritmar deliberadamente” o desenvolvimento de IA autónoma.
Microsoft defende “botão de desligar” e reguladores aceleram pressão
O apelo dos investigadores surge dias depois de Brad Smith, presidente da Microsoft, ter defendido na ONU que tanto os criadores dos modelos como os fornecedores de cloud devem ter a capacidade de desligar sistemas de IA: “As pessoas que criam o modelo devem poder desligá‑lo. Os fornecedores de cloud, como nós, devem poder desligá‑lo.”
Uma análise da 24/7 Wall St. enquadrou esta posição como estratégia corporativa: se o poder de desligar reside na cloud, plataformas como Azure (que ultrapassou $100 mil milhões em receita anual e cresceu 43% no último trimestre) tornam‑se o ponto central de confiança para empresas que dependem de IA.
A pressão regulatória também está a aumentar. A 23 de setembro, uma coligação de procuradores‑gerais estaduais enviou uma carta ao Congresso a pedir regulação federal abrangente para IA de fronteira. A CNBC reportou que investigadores da OpenAI e Anthropic têm apelado publicamente a um desenvolvimento mais lento, após uma série de incidentes envolvendo agentes desalinhados.
A CFO da Microsoft, Amy Hood, reconheceu que “ainda existem constrangimentos no sistema”, mas o investimento da empresa continua a acelerar: $115,95 mil milhões em capex no ano fiscal de 2026, quase +80% face ao ano anterior, uma aposta clara de que a procura por IA vai continuar a superar a oferta.
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