A Microsoft levou a sua Frontier Tour a Londres e Paris, e Satya Nadella aproveitou os dois palcos para reforçar uma mensagem que está a tornar‑se central na estratégia da empresa: modelos de IA poderosos devem ser tratados como “novas formas de insiders”, exigindo uma arquitetura de segurança zero‑trust em torno deles.

A ideia, apresentada a líderes empresariais, é simples mas disruptiva: quanto mais avançados os modelos ficam, menos confiáveis se tornam, e mais rigorosas devem ser as barreiras externas que controlam o que podem aceder e fazer.

Microsoft mostrou onde quer ir no Frontier Tour

Nadella descreveu três desafios fundamentais. O primeiro é garantir que as pessoas continuam no comando, a IA pode automatizar tarefas repetitivas, mas não deve substituir o papel humano nos processos críticos. O segundo é o que chamou de “paradoxo da informação inversa”: as organizações precisam de possuir e controlar o conhecimento gerado tanto pelos colaboradores como pelos modelos. O terceiro é a confiança, ou melhor, a sua erosão: “As nossas leis de escala estão a produzir modelos cada vez mais poderosos e cada vez menos confiáveis”, afirmou. 

Em Paris, Nadella reforçou que integrar IA no trabalho sem eliminar o papel humano é “uma das coisas mais importantes a alcançar”. Apresentou o Copilot como “um novo sistema operativo para o trabalho” e anunciou capacidades adicionais da Microsoft Sovereign Cloud, pensadas para governos e setores regulados que precisam de maior controlo sobre dados e agentes de IA. 

A mensagem liga‑se ao ensaio que Nadella publicou a 10 de outubro, onde defende que um humano autorizado deve poder pausar ou desligar um modelo a meio de uma tarefa, e que todos os controlos devem existir fora do modelo, nunca dentro dele. 

A Microsoft também divulgou um estudo que mostra um fosso claro entre líderes e trabalhadores no Reino Unido: 84% dos executivos acreditam que o país pode liderar a economia de IA em cinco anos, mas apenas 41% dos trabalhadores concordam. Entre quem já usa IA no trabalho, 35% teme pela segurança do emprego e 57% receia que a tecnologia reduza oportunidades para jovens. Ainda assim, 71% dizem que a IA já melhorou o seu trabalho. 

Para Darren Hardman, CEO da Microsoft UK, o desafio é humano, não técnico: “Não vamos mudar a curva se as pessoas não virem um lugar para si no que vem a seguir.” 

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