Se tens um pacote de televisão, Internet e telemóvel, foi aí que a conta mexeu em setembro. Segundo o relatório mensal da ANACOM, o regulador das comunicações, os preços das telecomunicações subiram 0,7% face a agosto, e a subida veio dos pacotes, que ficaram 1,4% mais caros num só mês.

Isto não quer dizer que a tua fatura tenha subido 0,7%, porque o número mostra a evolução média dos preços no setor. E, se olhares para o último ano, as contas continuam a teu favor: os preços estão 2,6% abaixo dos de setembro de 2025 e Portugal é o segundo país da União Europeia onde mais desceram. Vê os números, quem tem hoje as mensalidades mais baixas e o que podes fazer para não pagares a mais.

Porque subiram os preços das telecomunicações em setembro

Logótipo da DIGI, a operadora com as mensalidades mínimas mais baixas no relatório da ANACOM sobre os preços das telecomunicações

A subida de setembro tem uma só origem. Segundo os dados do Eurostat que a ANACOM usa no relatório, os serviços em pacote, a forma como a maioria das famílias contrata televisão, Internet e telefone, aumentaram 1,4%, enquanto o telefone fixo, o telemóvel e o acesso à Internet contratados à parte ficaram iguais ao mês anterior.

Basta isso para mexer na média, porque os pacotes são a regra e não a exceção. Segundo o INE, 87,1% das famílias portuguesas tinham ofertas em pacote em 2025, e entre os 46 grupos de bens e serviços do Índice de Preços no Consumidor as telecomunicações acabaram por ter a 10.ª maior subida do mês.

O relatório não atribui o aumento a nenhum operador em concreto, e o mesmo fazemos nós. O próprio regulador avisa, de resto, que os dados do INE podem não captar ofertas novas ou com poucos clientes.

Mais baratos do que há um ano e do que na maior parte da UE

Alargando o horizonte, o quadro muda. Em setembro, os preços das telecomunicações estavam 2,6% abaixo dos de há um ano, numa altura em que os preços em geral subiram 3,6%, e na média dos últimos 12 meses a descida foi de 2,7%.

Essa descida contrasta com o que se passa no resto da Europa. A média da União Europeia subiu 2,0% nos últimos 12 meses, o que deixa Portugal com a segunda variação mais baixa dos 27 países, só atrás da Áustria (-3,5%), e bem longe da Hungria, onde se registou o maior aumento (+6,6%).

Há, ainda assim, um sinal de alerta nesta comparação: a subida de setembro foi a segunda maior da UE nesse mês, quando a média europeia ficou estável.

As mensalidades mais baixas do mercado

Se as médias contam uma parte da história, as ofertas concretas contam a outra. A ANACOM compara também a mensalidade mínima que cada operador anuncia no seu site, num conjunto de 11 serviços e pacotes, e na recolha feita a 28 de setembro a DIGI tinha a mensalidade mais baixa em nove deles, entre os quais:

  • telemóvel sem pacote: 4 €, o mesmo valor da NOWO;
  • pacote com Internet, televisão e telefone fixo (triple play): 21 €;
  • pacote com Internet, televisão, fixo e telemóvel (quadruple play): 24 €.

As duas ofertas restantes ficaram com a NOS, que tinha a mensalidade mais baixa na banda larga móvel para computador, tablet ou router (7,99 €) e no pacote de cinco serviços (58,73 €). Já a MEO e a Vodafone não tinham a mensalidade mínima em nenhuma das 11 ofertas analisadas.

O que isto muda na tua fatura

Para já, nada muda de forma automática: se o teu tarifário não mudou em setembro, continuas a pagar o mesmo. O que o índice mostra é que, em média, o mercado ficou mais caro nos pacotes, e é aí que vale a pena estares atento.

Com isso em mente, há três coisas que podes fazer esta semana:

  1. Revê a fatura e confirma se a mensalidade ainda corresponde ao que contrataste, sem serviços extra que não usas.
  2. Lê a cláusula de atualização de preços do teu contrato, que diz se e como o operador pode subir a mensalidade.
  3. Vê quando acaba a fidelização. A partir daí, podes negociar com o teu operador ou mudar sem penalização, e a diferença para as mensalidades mais baixas do mercado pode ser grande.

A nossa análise

Uma subida de 0,7% num mês não é motivo de alarme, sobretudo depois de um ano em que as telecomunicações ficaram mais baratas, ao contrário de quase tudo o resto. Serve, contudo, de lembrete de que a pressão sobre os preços não desapareceu e de que os pacotes, onde está a maioria das famílias, são o terreno onde ela se sente primeiro.

O mesmo relatório traz também a boa notícia, ao mostrar ofertas com mensalidades muito baixas, a começar pelos 4 € no telemóvel e pelos 24 € num pacote com quatro serviços. Quem não revê o contrato há mais de dois anos tem aqui uma boa razão para o fazer agora.

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