O jogador da NBA Steph Curry foi avistado em múltiplas ocasiões a usar um dispositivo eletrónico misterioso no pulso. Isto é, alimentando especulações de que poderá estar a promover um novo produto da Google – possivelmente designado “Google Fitbit Air”.
Importa salientar que as aparições do dispositivo não foram acidentais. Curry exibiu-o num post patrocinado no Instagram, num vídeo da Sotheby’s e ainda num clipe do All-Star Weekend, sugerindo uma campanha de marketing cuidadosamente orquestrada.
Além disso, o aspeto mais intrigante do dispositivo é a aparente ausência de ecrã, uma característica que o diferencia radicalmente dos smartwatches e fitness trackers tradicionais. Consequentemente, se os rumores se confirmarem, o Google Fitbit Air representaria a resposta direta da Google ao Whoop, a popular banda de fitness que igualmente dispensa ecrã e se foca exclusivamente na recolha e análise de dados biométricos – frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, qualidade do sono e níveis de esforço.
Por outro lado, a escolha de Steph Curry como embaixador do produto seria estrategicamente brilhante. Neste sentido, Curry é não apenas um dos atletas mais reconhecidos e admirados do mundo, mas também um ícone de saúde, desempenho e longevidade atlética – valores que se alinham perfeitamente com o posicionamento de um wearable focado em otimização biométrica.
Fitbit Air tenta competir com Whoop
De igual modo, a presença de Curry em contextos tão diversificados como o Instagram, eventos de leilões de arte e jogos de exibição da NBA garante uma exposição do produto junto de múltiplas demografias. Desde os fãs de desporto aos entusiastas de tecnologia e estilo de vida.
Em contrapartida, a decisão de lançar um wearable sem ecrã acarreta riscos significativos num mercado dominado por dispositivos como o Apple Watch e o Samsung Galaxy Watch, que apostam precisamente na riqueza de informação disponível no pulso. Nesta perspetiva, o sucesso do Google Fitbit Air dependeria da capacidade da Google de convencer os consumidores de que menos é mais.
Pulseira pode fazer abanar o mercado
Importa igualmente referir que a Google tem enfrentado desafios consideráveis no segmento dos wearables desde a aquisição da Fitbit em 2021. Os Pixel Watch, embora competentes, não conseguiram destronar o Apple Watch da liderança do mercado, e a marca Fitbit tem vindo a perder relevância face a concorrentes mais ágeis e inovadores. Neste sentido, o Fitbit Air – se é que é esse o nome final – poderia representar uma mudança de estratégia. Em vez de competir diretamente com o Apple Watch num terreno que a Google não domina, a empresa estaria a criar uma nova categoria de produto onde as regras do jogo são diferentes.
Em última análise, as aparições de Steph Curry com o misterioso dispositivo sem ecrã são, no mínimo, um exercício magistral de marketing viral. Quer o Google Fitbit Air se concretize tal como os rumores sugerem, quer assuma uma forma diferente, a curiosidade já está instalada. E no mundo dos wearables, captar a atenção é metade da batalha.
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