O número é impressionante e, para muitos programadores, inquietante: 75% de todo o novo código da Google é agora gerado por inteligência artificial. A revelação veio do próprio CEO, Sundar Pichai, num blog post que sublinha a velocidade a que a IA está a transformar o desenvolvimento de software na maior empresa tecnológica do mundo.
Em primeiro lugar, a progressão é notável. No outono anterior, a Google reportava que cerca de 50% do seu novo código era gerado por IA. Passar de metade para três quartos em poucos meses demonstra não apenas o avanço das ferramentas, mas também a confiança crescente dos engenheiros humanos em utilizar código gerado por máquina. Além disso, a Google criou recentemente uma “strike team” dedicada exclusivamente a melhorar as capacidades de programação dos seus modelos de IA – um investimento que revela prioridades estratégicas claras.
Google olha para a IA com bons olhos
Todavia, é crucial contextualizar estes números. Quando a Google diz que 75% do código é “gerado por IA”, isso não significa que a IA está a programar sozinha. De facto, o processo envolve tipicamente a IA a sugerir código que é depois revisto, editado e aprovado por programadores humanos. A IA funciona como um co-piloto extraordinariamente produtivo, mas o piloto humano continua a ser indispensável.
Neste sentido, a corrida entre empresas de IA no domínio do AI coding é feroz. A Anthropic, criadora do Claude, afirmou que entre 70% e 90% do seu próprio código é escrito com o Claude Code. Consequentemente, as empresas de IA estão literalmente a usar os seus próprios modelos para se construírem a si mesmas – uma dinâmica recursiva que acelera o progresso de forma exponencial.
Em contrapartida, o impacto no mercado de trabalho de tecnologia é uma preocupação legítima e crescente. Se a IA consegue gerar a maioria do código, o que acontece aos programadores humanos? Importa salientar que, por agora, as empresas tecnológicas não estão a reduzir as suas equipas de engenharia – estão a aumentar a produtividade por engenheiro. Mas a questão de longo prazo permanece: se um engenheiro assistido por IA produz tanto como cinco, a indústria precisará de tantos engenheiros no futuro?
O que acontecerá aos programadores no futuro?
Por outro lado, esta transformação cria novas oportunidades. Os programadores que souberem dirigir e otimizar IA tornar-se-ão ainda mais valiosos. O papel do engenheiro evolui de escritor de código para arquiteto e supervisor de sistemas assistidos por IA. Desta forma, a profissão não desaparece – transforma-se.
Assim sendo, a revelação de Sundar Pichai é um marco que merece reflexão. Sobretudo, confirma que a IA não está a vir – já chegou, e está a reescrever, literalmente, a forma como o software é construído.
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