Anthropic assume custos energéticos dos seus centros de dados

Num gesto sem precedentes na indústria tecnológica, a Anthropic, criadora do modelo Claude, anunciou um compromisso público para mitigar o impacto financeiro dos seus centros de dados nas comunidades locais. De facto, a corrida pela supremacia na inteligência artificial trouxe um efeito secundário alarmante. Isto é, um consumo de eletricidade sem precedentes que está a sobrecarregar as redes elétricas nacionais.

Ao propósito, a empresa prometeu que irá intervir diretamente para evitar que o aumento da procura energética gerado pelos seus servidores. Dessa forma, tal pode resultar numa subida das tarifas de eletricidade para os consumidores domésticos.

Anthropic parece ser a única a pensar no ambiente

O problema reside na forma como a infraestrutura elétrica se financia. Mas, quando uma grande empresa tecnológica constrói um centro de dados massivo, as empresas de energia necessitam muitas vezes de atualizar subestações e linhas de alta tensão. Historicamente, parte desses custos de infraestrutura acaba por ser diluída nas faturas de todos os clientes da região. Portanto, a Anthropic declarou que passará a assumir 100% destes custos de atualização. Isto claro, além de pagar uma taxa de impacto social utilizado para subsidiar programas de eficiência energética em comunidades desfavorecidas nas áreas onde opera. 

Este anúncio surge num momento crítico. Com o treino de modelos de linguagem de próxima geração a exigir quantidades massivas de poder computacional. Ocasionalmente, estima-se que a procura de energia por centros de dados possa duplicar em certas regiões até 2030. A Anthropic está a tentar distanciar-se de rivais como a OpenAI e a Microsoft, posicionando-se como a escolha “ética” no mercado de IA. Além dos subsídios diretos, a empresa revelou planos para investir na criação de micro-redes de energia renovável. Tal garante que a energia consumida pelos seus modelos é compensada por nova capacidade injetada na rede. 

A reação da indústria é mista. Enquanto defensores do ambiente e reguladores aplaudem a iniciativa, alguns analistas questionam se este modelo de negócio é sustentável a longo prazo, dado o custo elevado destas compensações.

Contudo, para a Anthropic, o custo de não agir poderá ser superior, face à possibilidade de novas taxas governamentais sobre o consumo energético de centros de dados. Este movimento poderá forçar outros gigantes tecnológicos a adotar políticas semelhantes, transformando a responsabilidade energética num novo campo de batalha competitivo no setor da tecnologia.

Fica mais conectado:

Via

Tens de conhecer!