Apple iPhone Duo reacende comparações com produto falhado da Microsoft

A Apple apresentou esta semana o seu primeiro smartphone dobrável, o iPhone Duo, e a reação no setor tecnológico tem oscilado entre o entusiasmo e uma ironia difícil de ignorar. Com um ecrã dobrável contínuo de 7,8 polegadas e um preço inicial de 2399 euros, o novo equipamento partilha mais do que algumas semelhanças (incluindo o nome) com o Surface Duo da Microsoft, um smartphone de dois ecrãs lançado em 2020 e posteriormente abandonado pela empresa. 

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O nome “Duo” volta a colocar a Microsoft no centro da conversa 

Grande parte das primeiras reações não se focou propriamente no hardware, mas sim na escolha do nome. A expressão “IYKYK”, sigla de if you know, you know (“se sabe, sabe”), tornou-se numa espécie de comentário recorrente entre quem se recorda do percurso atribulado do Surface Duo. 

Zac Bowden, editor sénior do Windows Central, defendeu que a Microsoft “desistiu do Duo depois de apenas um modelo de continuação” e nunca chegou a dar uma oportunidade real ao seu dispositivo complementar, o Surface Neo. Na sua perspetiva, a Apple teve espaço para adotar o nome precisamente porque a Microsoft abandonou essa linha de produtos. 

Ainda assim, a Apple também tem algum historial com a designação “Duo”. A empresa utilizou-a anteriormente nos portáteis PowerBook Duo, durante a década de 1990, e mais recentemente no carregador MagSafe Duo. No entanto, essa ligação histórica não travou as piadas nem as comparações com o equipamento da Microsoft. 

As semelhanças, porém, vão além da marca. A Microsoft perseguia a ideia de um dispositivo de computação dobrável desde o conceito Courier, revelado em 2009. Contudo, o Surface Duo não conseguiu transformar essa ambição numa experiência suficientemente convincente para o mercado. 

O equipamento apresentava uma dobradiça central que dividia os dois ecrãs, software nem sempre fiável e um formato pouco consensual: demasiado grande para funcionar confortavelmente como telemóvel e demasiado pequeno para substituir um tablet. Em contraste, a abordagem da Apple assenta num único ecrã dobrável, sem interrupção visual, e numa experiência de multitarefa inspirada no iPadOS. 

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Além disso, a possibilidade de arrastar conteúdos entre aplicações e entre as duas metades do ecrã recorda funcionalidades demonstradas pela Microsoft no conceito Courier. A diferença é que, desta vez, essa visão chega ao mercado como produto comercial.

Microsoft Surface Conectado

O que o Apple iPhone Duo revela sobre o futuro da linha Surface 

O lançamento do iPhone Duo voltou, assim, a levantar dúvidas sobre a estratégia de hardware da Microsoft. A marca Surface, em 2026, já não ocupa o mesmo papel de referência na inovação de formatos de PC que desempenhou quando popularizou os dispositivos 2 em 1.

Atualmente, a marca encontra-se num segmento de computadores cada vez mais concorrido, sem uma identidade tão distinta. Por um lado, a Microsoft parece não manter os seus produtos experimentais no mercado tempo suficiente para os aperfeiçoar. Por outro, também não espera que determinadas categorias amadureçam antes de tentar competir nelas. 

O caso do Surface Duo tornou-se particularmente simbólico. A Microsoft identificou cedo o potencial de um dispositivo portátil centrado em multitarefa, produtividade e formatos dobráveis. No entanto, falhou na execução, no software e na continuidade necessária para evoluir o conceito. 

A Apple parece agora ter aproveitado essa oportunidade com uma proposta mais polida, combinando um ecrã dobrável contínuo com uma interface preparada para utilizar várias aplicações em simultâneo. Se o iPhone Duo for bem recebido, poderá validar uma ideia que a Microsoft explorou durante anos, mas que nunca conseguiu transformar num sucesso comercial. 

Assim, quem quiser antecipar o próximo grande produto da Apple pode olhar para Redmond: aquilo com que a Microsoft está hoje a lutar poderá acabar por ocupar o centro de um keynote da Apple alguns anos mais tarde.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.