Apple Music passa a exigir etiquetas de transparência sobre IA

A Apple Music anunciou na quinta-feira que vai tornar obrigatórias as etiquetas “Made With AI” em músicas criadas com inteligência artificial generativa. Assim, os ouvintes passarão a ver um sistema de identificação que, desde março, funcionava apenas nos bastidores. 

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Num e-mail enviado a parceiros da indústria, citado pelo The Hollywood Reporter, o serviço de streaming indicou que os fornecedores de conteúdos “serão obrigados a incluir Etiquetas de Transparência de IA sempre que a IA tenha sido utilizada para criar uma parte material do conteúdo, incluindo faixas geradas por plataformas de IA”. As etiquetas chegarão aos utilizadores da Apple Music “ainda este ano”, embora a empresa não tenha avançado uma data concreta. 

Inicialmente, as Etiquetas de Transparência de IA foram apresentadas como uma ferramenta de divulgação opcional para editoras discográficas e distribuidores. No entanto, a nova política torna-as obrigatórias e, pela primeira vez, visíveis para o público. 

A Apple define conteúdo “gerado por plataformas de IA” como qualquer material “principalmente derivado de um serviço de IA generativa”, o que abrange faixas criadas em plataformas como a Suno. Ainda assim, a responsabilidade pelo cumprimento das regras ficará do lado da cadeia de distribuição. 

“Os fornecedores de conteúdos serão parceiros importantes”, escreveu a Apple. “Estão na melhor posição para saber como os seus conteúdos foram criados e quais as Etiquetas de Transparência de IA que devem ser utilizadas.” 

Apesar disso, a Apple Music não explicou como irá fiscalizar o cumprimento da obrigação. Segundo a Music Business Worldwide, a plataforma não deteta diretamente conteúdos criados por IA para efeitos de rotulagem, baseando-se sobretudo na declaração dos próprios distribuidores e detentores de direitos. 

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Uma indústria pressionada e novas regras no Apple Music

A decisão surge num contexto de preocupação crescente com a quantidade de música gerada por IA que chega diariamente às plataformas de streaming. Oliver Schusser, vice-presidente da Apple Music, afirmou à Billboard que mais de um terço dos carregamentos mensais no serviço é “100% IA”. Porém, a audição efetiva dessas faixas continua abaixo dos 0,5%. 

Entretanto, a Deezer revelou no mês passado que as faixas totalmente geradas por IA ultrapassaram, pela primeira vez, 50% dos novos carregamentos diários na plataforma. Por sua vez, a Spotify anunciou a 11 de agosto que vai identificar perfis de artistas gerados por IA como “AI Personas” e excluí-los de recomendações editoriais e algorítmicas. Estes distintivos deverão chegar em meados de setembro. 

Ao contrário da Apple, a Spotify afirmou que não dependerá exclusivamente da declaração dos distribuidores, prevendo também uma revisão independente dos perfis. 

Além da pressão do setor, existem sinais regulatórios cada vez mais fortes. Em julho, a RIAA e a IFPI lideraram uma iniciativa para incentivar os serviços de streaming a identificarem faixas criadas por IA, de forma semelhante aos avisos de conteúdo explícito. 

Ao mesmo tempo, as regras de transparência do Regulamento Europeu da IA (em vigor desde 2 de agosto) exigem que os fornecedores de IA generativa incorporem marcadores legíveis por máquinas nos seus conteúdos. Serviços já existentes, como a Suno, têm até 2 de dezembro para cumprir estas exigências. 

A Suno indicou, a 6 de agosto, que deverá adotar marcas de água de áudio e tecnologias de impressão digital “nas próximas semanas”. Embora a Apple ainda não tenha confirmado quando as etiquetas serão visíveis na aplicação, a empresa tem vindo a endurecer a sua posição. Em 2025, redistribuiu royalties associados a cerca de 2 mil milhões de reproduções manipuladas e, no início deste ano, duplicou as penalizações aplicadas em casos de fraude de streaming.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.