Apple Smart Glasses: Privacidade e regulação da UE fazem adiar decisão

A Apple está a colocar a privacidade no centro da estratégia para os seus futuros óculos inteligentes, numa altura em que se prepara para enfrentar preocupações dos consumidores e um escrutínio regulatório crescente na Europa. Segundo uma notícia da Bloomberg, assinada por Mark Gurman, a empresa poderá apresentar o dispositivo na WWDC de 2027. 

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Internamente, as equipas envolvidas no desenvolvimento dos óculos, integradas no grupo de hardware Vision e noutras áreas da empresa, consideram a privacidade uma prioridade máxima. Por isso, a Apple estará a criar várias funcionalidades de hardware e software destinadas a proteger as pessoas que estejam perto de quem usa o dispositivo.

Ao nível do software, os óculos poderão desativar a gravação caso detetem que a luz indicadora da câmara foi adulterada. Trata-se de uma medida já utilizada pela Meta nos óculos Ray-Ban, mas a Apple estará a avaliar opções ainda mais restritivas. Entre elas, encontra-se a possibilidade de lançar modelos sem câmara ou equipados com um sistema de câmaras incapaz de captar fotografias ou vídeo.

Privacidade em cima da mesa para a Apple

O produto, conhecido internamente pelo nome de código N50, era inicialmente esperado em 2026. No entanto, alguns obstáculos no desenvolvimento terão levado ao adiamento. Agora, a Apple prevê revelar os óculos na WWDC, em junho de 2027, e iniciar as vendas até ao final desse ano. 

O equipamento deverá posicionar-se entre os 200 e os 500 dólares e incluir câmaras, altifalantes, microfones e uma integração profunda com a Siri. Contudo, não deverá contar com ecrãs integrados nas lentes na primeira geração.

Entretanto, a Europa tornou-se um mercado particularmente sensível para óculos com câmaras e capacidades de inteligência artificial. No início de 2026, meios de comunicação suecos noticiaram que imagens captadas pelos óculos Ray-Ban da Meta teriam sido enviadas para subcontratantes externos com o objetivo de treinar sistemas de IA. Como resultado, o caso motivou investigações ao abrigo do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, o RGPD.

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Regulamentação europeia complica lançamento que Apple havia pensado

Além disso, a CNIL, autoridade francesa de proteção de dados, emitiu em maio de 2026 um alerta formal sobre a conformidade destes dispositivos com as regras de proteção de dados. Assim, a Apple terá de demonstrar que os seus óculos respeitam não só as exigências técnicas, mas também os princípios de transparência, consentimento e minimização de dados. 

A Meta já sente o impacto deste contexto regulatório. Os seus óculos Ray-Ban Display, disponíveis nos Estados Unidos desde setembro de 2025, continuam impedidos de chegar a vários mercados europeus, devido a regras da União Europeia relacionadas com baterias e IA. A expansão prevista para janeiro de 2026 no Reino Unido, França, Itália e Canadá foi, por isso, suspensa. 

A pressão não se limita à privacidade. A partir de fevereiro de 2027, novas normas europeias deverão exigir que as baterias de muitos dispositivos wearables possam ser removidas e substituídas pelos utilizadores. Esta obrigação representa mais um desafio de engenharia para fabricantes conhecidos por equipamentos compactos e selados. 

Por fim, a existência de uma ação coletiva contra a Meta devido às práticas de dados dos seus óculos evidencia os riscos legais deste segmento. A Apple parece acreditar que uma abordagem centrada na privacidade poderá diferenciá-la da concorrência. Ainda assim, terá de acompanhar de perto os processos regulatórios e jurídicos que envolvem a Meta antes de colocar o seu próprio produto no mercado.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.