Executivo da Microsoft alerta para “ciclo vicioso” e ameaça no trabalho

Ryan Roslansky, vice-presidente executivo da Microsoft responsável pelo LinkedIn, Office, Teams, Outlook e Copilot, alertou para o risco de a inteligência artificial estar a criar um “ciclo vicioso” nos locais de trabalho. Segundo o executivo, as empresas podem acabar presas a um fluxo de conteúdos gerados por IA que são, por sua vez, resumidos por outras ferramentas de IA, sem acrescentarem pensamento, contexto ou valor real. 

- Advertisement -

Numa publicação no LinkedIn, Roslansky relatou ter recebido um documento que era “claramente gerado por IA”. Posteriormente, recorreu também a uma ferramenta de IA para o resumir.

Um “oceano de conteúdos iguais” gerados por IA

No entanto, o resultado não trouxe novas ideias nem informação útil. “Li-o, percebi que era tudo gerado por IA, pedi à minha IA para o resumir e acabei sem nada que acrescentasse uma nova perspetiva à ideia”, escreveu. “Isto é um ciclo vicioso.” 

Além disso, Roslansky alertou para o perigo de as empresas investirem em ferramentas de IA apenas para evitarem tarefas que os trabalhadores deveriam continuar a desempenhar: pensar, escrever, analisar e ler criticamente. 

Por outras palavras, a utilização indiscriminada de IA generativa pode criar um “oceano de uniformidade e generalidade” nas comunicações profissionais. O problema não estaria limitado às redes sociais: o chamado AI slop, conteúdo genérico, de baixa qualidade e produzido rapidamente com IA, também já estaria a chegar ao trabalho quotidiano. 

A ironia da estratégia de IA da Microsoft 

As declarações têm uma dimensão particularmente irónica, tendo em conta a estratégia da Microsoft. Nos últimos dois anos, a empresa integrou o Copilot em praticamente todo o seu ecossistema, incluindo Windows, Microsoft 365, Edge, Teams, Outlook e outras aplicações empresariais. 

- Advertisement -

Ao mesmo tempo, a tecnológica tem promovido assistentes de IA, agentes autónomos e fluxos de trabalho automatizados como elementos centrais do futuro do trabalho. Por isso, vários críticos salientaram que um executivo ligado a alguns dos produtos mais orientados para IA está agora a alertar para os efeitos do próprio tipo de conteúdos que essas ferramentas podem incentivar. 

Ainda assim, Roslansky não defendeu o abandono da inteligência artificial. Em vez disso, defendeu que a tecnologia deve ajudar as pessoas a “fazer coisas, aprender coisas e criar coisas”, sem eliminar a sua perspetiva, experiência e pensamento crítico. 

Entretanto, outros responsáveis da Microsoft também têm reconhecido publicamente alguns dos riscos associados à adoção acelerada de IA. Em janeiro, Satya Nadella pediu que as pessoas deixassem de chamar “slop” aos conteúdos criados por IA, numa altura em que o termo se tornava cada vez mais associado a resultados pouco úteis ou excessivamente padronizados. 

Fica mais conectado:

Fonte

- Pub -
João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.