O mercado de computadores para uso pessoal nos Estados Unidos fechou 2025 com sinais de recuperação, graças ao Windows 10. De facto, nesse período, os envios cresceram 3% em termos homólogos e atingiram 18,2 milhões de unidades, depois de dois trimestres consecutivos em queda.
Porém, grande parte desse impulso veio da corrida de empresas e consumidores para substituir máquinas antigas antes do fim do suporte ao Windows 10. Isto é, em outubro do ano passado. Ao mesmo tempo, muitos retalhistas reforçaram inventário antecipadamente, numa tentativa de se protegerem contra futuras pressões na cadeia de abastecimento e subida de preços.
Windows 10 ajudou a segurar o mercado
No segmento empresarial, a migração para o Windows 11 teve um peso particularmente relevante. Segundo os dados citados, os envios comerciais subiram 6% para 8,2 milhões de unidades, prolongando uma sequência de crescimento anual sustentado.
Já no âmbito pessoal, a procura beneficiou do período de compras de fim de ano, mas o contexto permanece mais frágil. O efeito combinado entre promoções sazonais, renovação de equipamentos e receio de aumentos ajudou a criar um alívio temporário, sem garantir uma tendência duradoura.
Assim, o cenário para 2026 é bem menos animador. As previsões referidas pela Omdia apontam para uma queda de 10,4% nos envios de PCs, o recuo mais acentuado em mais de uma década.
Ao mesmo tempo, os preços podem subir de forma expressiva devido a pressões sobre componentes e tarifas, mesmo que o volume total de unidades vendidas recue. Noutras palavras, o mercado pode encolher em quantidade, mas tornar-se mais caro para quem precisa de comprar um portátil novo.
Recuperação desigual
Apesar da travagem esperada em 2026, os analistas admitem alguma recuperação em 2027. Ainda assim, mesmo com uma subida projetada de 7%, o mercado continuaria abaixo dos níveis totais registados em 2025.
Em suma, isto sugere que o crescimento recente pode ter sido mais uma reação a prazos e receios imediatos do que o início de um novo ciclo robusto de expansão. Para fabricantes e consumidores, 2026 poderá ser um ano de transição difícil, marcado por menor procura e equipamentos potencialmente mais caros.

