A plataforma Gemini, da Google, viu a sua quota do tráfego global de websites de inteligência artificial generativa recuar pelo segundo mês consecutivo, de acordo com dados da SimilarWeb até agosto. Ainda assim, a empresa continua a acelerar o lançamento de novos modelos, ferramentas e integrações em vários produtos.
A quota de tráfego do Gemini caiu para 25,6% na leitura mensal mais recente, face aos 26,5% do mês anterior e aos 27,8% registados há três meses, segundo dados da SimilarWeb divulgados pela OfficeChai. Em contrapartida, o ChatGPT evoluiu na direção oposta: passou de 52,7% para 55,5% no mesmo período.
Embora a diferença seja relativamente pequena em pontos percentuais, a mudança de tendência é significativa. Há um ano, o ChatGPT concentrava 73,3% do tráfego associado a ferramentas de IA generativa, enquanto o Gemini representava apenas 12,9%. No entanto, até abril, o Gemini tinha protagonizado uma das progressões mais expressivas do setor, praticamente duplicando a sua quota em nove meses.
Por isso, o atual abrandamento surge num momento particularmente relevante para a estratégia da Google. Sundar Pichai apresentou uma antevisão do Gemini 3.5 Pro durante o Google I/O, mas o modelo ainda não chegou ao mercado numa versão capaz de gerar um novo aumento visível do tráfego. No início do ano, lançamentos como o Gemini 3 Pro e o modelo de imagem Nano Banana ajudaram a impulsionar o crescimento da plataforma. Sem um catalisador de impacto semelhante nos últimos meses, a evolução do Gemini parece ter entrado numa fase de estabilização.
Google reforça produtos, enquanto a concorrência ganha espaço
Apesar da quebra de quota, a Google mantém uma estratégia ativa de expansão das capacidades de IA. A 2 de setembro, a empresa lançou o Gemini 3.8 Flash, descrito como o seu modelo Flash “mais inteligente” até à data. Em simultâneo, apresentou o Fairwind Program, uma iniciativa que disponibiliza a mais de 650 parceiros das áreas governamental, cloud e cibersegurança acesso a uma versão especializada, o Gemini 3.8 Flash Cyber.
Este modelo foi concebido para tarefas como deteção autónoma de vulnerabilidades e aplicação de correções de segurança. Além disso, suporta uma janela de contexto de um milhão de tokens, uma capacidade relevante para engenharia de software de longa duração e agentes de IA capazes de executar processos mais autónomos.
Entretanto, a Google começou também a disponibilizar o agente de IA Gemini Spark no Google Photos. A funcionalidade permite organizar, editar e partilhar bibliotecas de fotografias através de instruções em linguagem natural. Inicialmente limitada a utilizadores elegíveis com mais de 18 anos nos Estados Unidos, a integração consegue pesquisar fotografias, identificar e filtrar duplicados, criar álbuns e executar pedidos com várias etapas, sem substituir os ficheiros originais.
ChatGPT da OpenAI promete fazer frente ao Gemini
No panorama competitivo, o Claude, da Anthropic, manteve-se relativamente estável, com uma quota de tráfego entre 9,2% e 9,5% nos últimos três meses. Já o DeepSeek e o Grok permanecem num intervalo entre 2,4% e 3,6%.
Ao mesmo tempo, as ações da Alphabet caíram mais de 10% no último mês, num contexto de preocupações mais amplas sobre a capacidade competitiva da empresa face à Anthropic e à OpenAI. Ainda assim, os analistas de Wall Street mantêm uma recomendação média de “Strong Buy” para a Alphabet, com um preço-alvo médio que aponta para uma valorização potencial de cerca de 27%.
Resta saber se a queda do Gemini representa o início de um período mais prolongado de estagnação ou apenas uma pausa antes de um novo lançamento capaz de reativar o crescimento. Para já, contudo, a dinâmica da corrida pelo tráfego de IA generativa parece voltar a favorecer o ChatGPT.
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