Inteligência artificial – Agentes de IA acabarão com parte da Internet

Parag Agrawal, antigo CEO do Twitter e atual líder da startup de inteligência artificial Parallel Web Systems, defende que o modelo económico da internet baseado em publicidade não conseguirá sobreviver numa web dominada por agentes de IA. 

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Numa conversa recente no podcast Training Data, Agrawal apresentou a visão de uma “web paralela” criada especificamente para agentes de IA. Segundo o executivo, quando os agentes passarem a navegar e a executar tarefas online em nome dos utilizadores, a atual economia de atenção poderá deixar de funcionar.

Inteligência Artificial trará mundaças à web

A razão é simples: a publicidade digital depende sobretudo de pessoas que veem anúncios, fazem pesquisas, visitam sites e clicam em links. No entanto, se os humanos deixarem de navegar diretamente e forem substituídos por agentes de IA (potencialmente a uma escala mil vezes superior) esses sinais de atenção e intenção tornam-se menos relevantes. 

“Se os humanos não aparecem e os seus agentes aparecem na web, o que significa isso? Como funciona o negócio?”, questionou Agrawal. Na perspetiva da Parallel, os dados de cliques humanos podem mesmo tornar-se um problema. “A nossa opinião na Parallel é que os dados de cliques humanos são um erro”, afirmou. “Um agente que trabalha com pesquisa deve basear-se no feedback de agentes, e não no feedback humano.” 

Por outras palavras, em vez de medir o valor através de visualizações, sessões e cliques, a web poderá passar a valorizar diretamente a utilidade real de uma página ou fonte para a conclusão de uma tarefa executada por IA. 

Valores de Shapley e uma nova economia para conteúdos

Para substituir as receitas publicitárias, Agrawal propõe recorrer aos valores de Shapley, um conceito da teoria dos jogos cooperativos. Em termos práticos, este mecanismo permitiria distribuir a remuneração pelos diferentes proprietários de conteúdos, de acordo com a contribuição efetiva de cada página para o resultado alcançado por um agente de IA. 

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Assim, se um agente consultar várias fontes para responder a uma pergunta, comparar produtos, preparar uma análise financeira ou completar uma tarefa empresarial, cada fonte poderia ser compensada proporcionalmente ao valor que acrescentou ao resultado final. 

A principal vantagem, segundo Agrawal, seria o alinhamento de incentivos. A questão essencial deixa de ser apenas como gerar tráfego, passando a ser como criar um ecossistema no qual publishers, plataformas e empresas que desenvolvem agentes de IA tenham interesse em colaborar. 

Esta ideia está alinhada com a estratégia recente da Parallel. Em maio, a empresa apresentou o Index, uma plataforma destinada a dar aos publishers maior visibilidade sobre a forma como os agentes de IA utilizam os seus conteúdos e a criar mecanismos de compensação por essa utilização. 

Entretanto, a Parallel cresceu rapidamente desde a sua fundação, no final de 2023. A empresa angariou 230 milhões de dólares em financiamento, incluindo uma ronda Série B de 100 milhões de dólares liderada pela Sequoia Capital, em abril, que avaliou a startup em 2 mil milhões de dólares. Conta com mais de 100 mil developers e clientes como Notion, Clay e Opendoor, além de bancos e fundos de investimento não identificados. 

Em julho, a empresa reforçou também a parceria com a Google Cloud para disponibilizar a sua tecnologia de grounding a clientes empresariais que desenvolvem agentes com modelos Gemini. Ainda assim, a previsão mais ambiciosa de Agrawal é que a transição para uma web dominada por agentes poderá acontecer nos próximos 12 a 24 meses, um cenário que deixaria pouco tempo para publishers, motores de pesquisa e plataformas publicitárias adaptarem os seus modelos de negócio.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.