As ações da Meta subiram mais de 4% depois de Alexandr Wang, responsável pela área de IA da empresa, ter afirmado que o novo modelo Muse Spark 1.3 atingiu um nível de desempenho comparável ao das propostas da Anthropic e da OpenAI.
Segundo Wang, trata-se do “maior salto” da Meta até agora em desempenho de modelos. Ainda assim, a alegação de paridade ainda não foi confirmada de forma independente. Aliás, os mercados de previsão atribuem atualmente uma probabilidade de 48% a que um modelo da Meta alcance pelo menos 55% no Humanity’s Last Exam este ano.
O que oferece o Muse Spark 1.3 da Meta AI
O Muse Spark 1.3 é um modelo multimodal de raciocínio, com pesos fechados e uma janela de contexto de um milhão de tokens. O modelo aceita texto, imagens e vídeo, estando já disponível no Muse Code, o agente de programação da Meta, e através da Meta Model API. Além disso, a empresa mantém uma modalidade de raciocínio “max” em pré-visualização limitada para parceiros, enquanto decorrem testes adicionais de segurança.
Nos benchmarks divulgados pela própria Meta, o Muse Spark 1.3 supera concorrentes em tarefas de programação e recuperação de informação em contextos extensos. A variante “max” obteve 62 pontos no Artificial Analysis Intelligence Index, ficando em terceiro lugar, atrás apenas do Claude Fable 5.1 e do Claude Opus 5, ambos da Anthropic.
De acordo com Wang, o modelo é competitivo com o Claude Fable 5.1, supera o GPT-5.6 Sol da OpenAI em programação e posiciona-se à frente de qualquer modelo chinês atualmente disponível.
Por outro lado, a Meta ainda não decidiu se irá publicar os pesos do modelo. No entanto, a empresa continua a planear a divulgação dos pesos da versão 1.2. Os preços começam nos 1,25 dólares por milhão de tokens de entrada na modalidade standard, podendo descer para 0,10 dólares por milhão de tokens no nível “contributor”, que permite à Meta utilizar os dados dos utilizadores para treino.
Contexto bolsista e concorrência
A subida das ações surge num contexto mais exigente para a Meta. Nos resultados do segundo trimestre de 2026, divulgados a 29 de julho, a empresa registou receitas de 60,80 mil milhões de dólares, uma subida de 28% face ao período homólogo.
Contudo, o lucro diluído por ação ficou nos 6,18 dólares, abaixo dos 7,22 dólares esperados pelo consenso do mercado. Custos legais e encargos relacionados com indemnizações afetaram as margens, levando a Meta a interromper uma sequência de seis trimestres consecutivos a superar as previsões dos analistas.
Entretanto, a Alphabet continua a ser uma referência importante para os investidores que avaliam a evolução da Meta na inteligência artificial. No segundo trimestre, as receitas do Google Cloud cresceram 82%, enquanto 90% das empresas Fortune 100 já utilizam o Gemini Enterprise. Além disso, a aplicação Gemini conta com 950 milhões de utilizadores ativos mensais.
Assim, a Meta procura demonstrar que consegue transformar os avanços técnicos do Muse Spark 1.3 em produtos e serviços com escala comercial. O próximo grande momento será o evento Meta Connect, agendado para 23 de setembro, onde a empresa deverá mostrar a integração do modelo em produtos de consumo, incluindo novos óculos com IA desenvolvidos com a EssilorLuxottica.
No entanto, serão os resultados de avaliações independentes nas próximas semanas a determinar se a alegação de paridade da Meta se confirma, e se a valorização recente das ações terá continuidade.
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