Realizado por Paul Thomas Anderson, One Battle After Another é uma das obras mais ambiciosas e visualmente deslumbrantes do ano. Decerto, o filme afasta-se das narrativas lineares para oferecer uma visão panorâmica da resistência e da sobrevivência humana perante sistemas opressivos.
Antes de tudo, situa-se num futuro próximo ou numa realidade alternativa altamente reconhecível. Isto é, o enredo foca-se num grupo de ativistas que tenta libertar imigrantes de centros de detenção, desencadeando uma reação em cadeia que envolve milícias, o estado e a própria opinião pública.
One Battle After Another não te deixa indiferente
Inegavelmente, a mestria de Anderson em coreografar grandes massas de pessoas e movimentos de câmara complexos é aqui levada ao extremo. Ou seja, utilizando película de 70mm, o realizador cria quadros que lembram pinturas históricas, onde cada detalhe, desde a poeira no ar até à expressão de um figurante ao fundo, contribui para a imersão na narrativa. Da mesma forma, o filme equilibra sequências de ação de escala monumental com momentos de intimidade quase insuportável. Como? Explorando as motivações morais de quem escolhe lutar quando todas as probabilidades estão contra si.
A nível temático, o filme é uma crítica feroz ao autoritarismo e à desumanização de comunidades marginalizadas. No entanto, não se limita ao panfleto político; é, acima de tudo, um estudo sobre a resiliência do espírito humano.
Os diálogos, repletos de subtexto e de uma ironia mordaz, desconstroem as ideologias dos personagens, revelando as contradições inerentes a qualquer revolução. One Battle After Another é um filme monumental que exige ser discutido e revisto, uma obra que utiliza o espetáculo cinematográfico para confrontar a audiência com as realidades mais urgentes e dolorosas do nosso tempo.
E se perguntas pela performance de DiCaprio. Não vale a pena dizer muita coisa. Basta pensar no nível a que já habituou o público e fãs de cinema. Em suma, enquadra o papel como ninguém, e eleva a fasquia uma vez mais.

