Agora, a Acer decidiu recuperar a histórica marca precisamente no ano em que celebra o seu 100.º aniversário. O regresso foi anunciado na IFA 2026 e está longe de se limitar a colocar novamente um logótipo conhecido numa caixa.
Temos uma nova identidade, uma filosofia batizada de “Tech It Easy” e uma gama curiosamente abrangente. Há um portátil, um telemóvel 4G, auscultadores, óculos com áudio e até um gira-discos em formato de mala.
Packard Bell regressa com uma ideia bastante simples
A Packard Bell nasceu em Los Angeles, em 1926. Começou por tornar os rádios mais acessíveis, passou pelas televisões a cores e acabou por se tornar particularmente conhecida pelos computadores pessoais.
Cem anos depois, a Acer quer recuperar precisamente essa ideia de tecnologia acessível e simples de utilizar.
É daí que nasce o novo lema “Tech It Easy”.
Em vez de perseguir exclusivamente especificações de topo, inteligência artificial em tudo ou equipamentos cada vez mais complexos, a Packard Bell quer apostar em produtos destinados às tarefas normais do quotidiano.
Estudar, trabalhar, ouvir música, comunicar ou simplesmente navegar na Internet.
Parece uma estratégia quase demasiado simples para o mercado tecnológico atual. Talvez seja precisamente por isso que pode funcionar.
Até o logótipo da Packard Bell mudou
O regresso vem acompanhado por uma identidade completamente renovada.
O novo símbolo é construído a partir de vários pontos que escondem as letras “P” e “B”. Segundo a marca, estes pontos devem ser vistos como células e não como píxeis, numa tentativa de aproximar a tecnologia das pessoas.
A linguagem visual também abandona aquela imagem empresarial que muitos poderão associar à antiga Packard Bell.
Laranja, roxo, verde e amarelo passam a dominar os produtos e campanhas. Além disso, a marca promete comunicar de forma mais simples e com menos jargão tecnológico.
Ou seja, não estamos perante uma tentativa de recriar exatamente a Packard Bell que conhecíamos. A Acer quer aproveitar o nome, mas adaptá-lo a uma nova geração.
DotBook é o portátil que lidera este regresso

O primeiro protagonista desta nova fase chama-se Packard Bell DotBook.
É um portátil de 14,5 polegadas pensado sobretudo para utilização quotidiana. Navegar na Internet, ver conteúdos em streaming, estudar ou realizar tarefas básicas de produtividade estão entre os principais cenários apontados pela marca.
Curiosamente, o conceito faz lembrar a época dos netbooks. Máquinas relativamente simples, acessíveis e suficientemente capazes para aquilo que a maioria das pessoas realmente fazia num computador.
A Packard Bell não revelou no comunicado as configurações de processador, memória ou armazenamento do DotBook. Portanto, será necessário esperar por mais informações antes de perceber exatamente onde se posiciona.
Já sabemos, contudo, o preço anunciado para a região EMEA: a partir de 499 euros.
Há um gira-discos, telemóvel 4G e até óculos com áudio
É aqui que este relançamento começa a ficar bastante mais interessante.
A Packard Bell não regressa apenas aos computadores. A primeira coleção tenta transformar a marca num pequeno ecossistema de produtos tecnológicos.
| Produto | O que é | Preço anunciado |
|---|---|---|
| DotBook | Portátil de 14,5″ | 499 € |
| DotLoop | Gira-discos em formato de mala | 149 € |
| DotTune | Coluna portátil | 34,99 € |
| DotLine | Telemóvel 4G | 69 € |
| DotLook | Óculos com áudio | 99 € |
| DotShine | Ring light para criadores | 39 € |
| DotCombo | Teclado e rato | 39 € |
| DotBass | Auscultadores | 29 € |
| Steasy | Minivaporizador inteligente | 199 € |
O DotLine merece particular atenção. Não é outro smartphone gigantesco carregado de funcionalidades.
Estamos perante um telemóvel 4G bastante mais simples, colorido e destinado, segundo a Packard Bell, a famílias ou a quem procura algum “equilíbrio digital”.
Depois temos os DotLook, óculos capazes de reproduzir áudio e permitir atender chamadas sem utilizar auriculares.
Já o DotLoop recupera um objeto que voltou claramente a ganhar popularidade nos últimos anos: o gira-discos. Neste caso, surge num formato portátil semelhante a uma pequena mala.

Packard Bell até quer entrar na cozinha
A estratégia também passa por parcerias.
Durante a IFA, a marca revelou uma colaboração com a startup suíça Steasy para criar um minivaporizador inteligente.
O objetivo não parece ser transformar a Packard Bell numa fabricante tradicional de eletrodomésticos. Pelo menos para já.
A ideia é aplicar a mesma filosofia “Tech It Easy” a outras áreas do quotidiano, através de produtos relativamente simples e acessíveis.
O primeiro equipamento desenvolvido com a Steasy deverá custar 199 euros, estando previstos novos lançamentos durante 2027.
Quando chegam os novos produtos da Packard Bell?
Segundo a tabela de disponibilidade divulgada pela Acer, os primeiros produtos começam a chegar à região EMEA já durante os próximos meses.
O DotBook, DotLoop, DotTune, DotLook, DotCombo e DotBass aparecem associados a setembro. O DotShine e Steasy estão previstos para outubro, enquanto o DotLine deverá chegar em novembro.
Há, contudo, uma pequena inconsistência no próprio comunicado. Na apresentação inicial, a Acer refere que o DotBook chegará à Europa a partir do quarto trimestre de 2026, enquanto na secção dedicada aos preços e disponibilidade aponta setembro.
Portanto, convém aguardar pela confirmação da data específica para cada mercado.
Também não existem, para já, preços ou datas próprias para Portugal.
Um nome antigo para uma geração completamente diferente
Recuperar marcas históricas não garante sucesso. Muito menos num mercado onde existem hoje dezenas de fabricantes a competir pelo mesmo consumidor.
Contudo, a Packard Bell parece ter percebido uma coisa interessante.
Nem toda a gente procura o computador mais potente, o smartphone mais sofisticado ou um gadget carregado de inteligência artificial. Existe igualmente espaço para produtos relativamente simples, visualmente diferentes e, sobretudo, com preços controlados.
A vantagem é que esta nova Packard Bell não começa exatamente do zero. Por trás está toda a estrutura da Acer, incluindo logística, assistência e suporte multilingue em 28 países da região EMEA.
Agora falta descobrir se um nome com 100 anos de história ainda consegue conquistar consumidores que provavelmente nunca ouviram falar dele.
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