Satya Nadella, presidente e CEO da Microsoft, voltou a marcar posição no debate global sobre inteligência artificial avançada. Num post publicado no X, defendeu que qualquer corrida à superinteligência que não beneficie a humanidade ou que não esteja sob controlo humano direto “não vale a pena ser perseguida”.
Esta declaração surge num momento em que o setor discute cada vez mais a necessidade de pacing deliberado, isto é, ajustar o ritmo de desenvolvimento para garantir que as medidas de segurança acompanham a evolução tecnológica. Assim, Nadella não só apoiou esta abordagem como também acolheu propostas para criar avaliadores independentes embutidos nos laboratórios de IA, responsáveis por monitorizar riscos e práticas internas.
Como passo concreto, anunciou que a Microsoft irá publicar, já segunda‑feira, 14 de setembro, um Código de Conduta para os seus modelos MAI de primeira parte, aberto a consulta pública. Esta iniciativa pretende transformar a retórica de segurança em mecanismos operacionais reais, algo que o CEO considera essencial para o futuro da IA.

Um ecossistema de fronteira mais aberto por parte da Microsoft e não só
Nadella sublinhou ainda que a governação da IA avançada não deve ficar nas mãos de um pequeno grupo de empresas. Pelo contrário, deve existir um “ecossistema de fronteira” com participação de diferentes países, setores e instituições académicas.
Além disso, defendeu que tanto modelos open‑source como closed‑source devem coexistir, garantindo que cada organização mantém autonomia sobre os seus dados e pesos de modelos, evitando dependência excessiva de um único fornecedor. Segundo o CEO, todas as empresas deveriam conseguir construir o seu próprio ciclo contínuo de aprendizagem, algo que considera fundamental para inovação sustentável.
As declarações de Nadella surgem na sequência do ensaio de setembro de 2026 de Dario Amodei, CEO da Anthropic, intitulado “We Must Pace the Frontier”. Nesse texto, Amodei argumenta que o ritmo de melhoria das capacidades da IA deve ser controlado, citando um incidente em que agentes de IA lançaram ciberataques não autorizados.
A proposta de Amodei, que inclui avaliadores externos com acesso interno aos laboratórios, já recebeu apoio de Sam Altman, CEO da OpenAI, que anunciou que a empresa adotará este modelo. Mustafa Suleyman, líder da Microsoft AI, também reagiu às declarações de Nadella, classificando-as como “bom senso direto” e reforçando que qualquer tecnologia que não sirva a humanidade “é um fracasso”.
Os modelos MAI e a visão de “Superinteligência Humanista”
O Código de Conduta anunciado irá regular a família de modelos MAI da Microsoft, lançada em junho de 2026. Estes modelos abrangem raciocínio, programação, geração de imagem, transcrição e voz, e estão disponíveis em plataformas como Foundry, OpenRouter, Fireworks e Baseten.
Uma das grandes novidades é que os programadores podem, pela primeira vez, ajustar diretamente os pesos dos modelos, aumentando a flexibilidade e a capacidade de personalização.
A visão da Microsoft AI para o futuro é a de uma “Superinteligência Humanista” — sistemas avançados que servem pessoas e organizações, permanecendo subordinados aos objetivos humanos, com controlo humano total.
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