Snapchat vê recurso copiado pela Meta, uma vez mais

Há tradições tão enraizadas no mundo tecnológico que já ninguém se surpreende – e a Meta a copiar o Snapchat é, a esta altura, uma delas. O Instagram lançou mais uma funcionalidade que replica diretamente um recurso do rival, adicionando outro capítulo a uma história que já dura uma década e que levanta questões incómodas sobre o estado da inovação nas redes sociais. 

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Em primeiro lugar, convém recordar o historial. Em 2016, o Instagram lançou as Stories – uma cópia quase literal dos Snaps do Snapchat que se tornou, ironicamente, mais popular do que o original. Seguiram-se os Reels, uma resposta directa ao TikTok.

Além disso, os filtros de realidade aumentada, as mensagens efémeras e inúmeras outras funcionalidades percorreram o mesmo caminho: nasceram no Snapchat ou noutras plataformas e foram absorvidas pelo Instagram com uma eficiência que alguns chamam de brilhante e outros de parasitária. 

Instagram copiar recursos do Snapchat não é de agora

Todavia, a questão em 2026 é se esta estratégia continua a funcionar. O Instagram atingiu uma maturidade de produto que torna cada nova funcionalidade menos impactante – e os utilizadores mais jovens, a demografia mais cobiçada, têm demonstrado uma resistência crescente a plataformas que percebem como derivativas. Neste sentido, a cópia perpétua pode estar a atingir os seus limites de eficácia. 

De facto, o caso do Snapchat é fascinante por si só. Apesar de ser constantemente copiado por uma empresa com recursos incomparavelmente superiores, o Snapchat sobrevive – e, por vezes, prospera. A razão é simples mas profunda: a empresa de Evan Spiegel continua a inovar mais rapidamente do que a Meta consegue copiar. Consequentemente, existe sempre uma vantagem temporal que o Snapchat explora antes que o Instagram lance a sua versão. 

Por outro lado, importa perguntar se os utilizadores se importam realmente com a originalidade. A evidência sugere que a maioria dos utilizadores não sabe (nem quer saber) quem inventou uma determinada funcionalidade. O que importa é a conveniência de ter tudo integrado numa única plataforma. Importa salientar que este pragmatismo dos utilizadores é, simultaneamente, a maior força e a maior vulnerabilidade da estratégia da Meta.

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Até que ponto faz sentido ser tão fácil copiar?!

Igualmente relevante é o impacto desta dinâmica na inovação do setor como um todo. Quando copiar é mais rentável do que criar, os incentivos para investir em investigação e desenvolvimento genuínos diminuem. Desta forma, a estratégia da Meta pode estar a empobrecer o ecossistema que a sustenta – um paradoxo que, a longo prazo, prejudica todos os intervenientes. 

Assim sendo, o mais recente clone do Snapchat no Instagram é simultaneamente previsível e revelador. Sobretudo, levanta a questão fundamental da era digital: num mundo onde copiar é gratuito e inovar é dispendioso, quem paga o preço da originalidade?

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