TikTok e Instagram – Um motivo que não te deixa ser viral

Para muita gente, criar conteúdo no Instagram e no TikTok é algo leve e até divertido. Para quem vive com transtorno obsessivocompulsivo (OCD), porém, pode ser uma fonte diária de ansiedade. E quem diz OCD, diz “perfeccionismo”.  Além disso, estas plataformas são desenhadas para maximizar o engagement e a comparação social, o que alimenta a sensação de que tudo tem de estar impecável antes de ir para o ar.

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OCD não é apenas ser “picuinhas” ou “organizado”. Envolve pensamentos intrusivos e angustiantes (obsessões) e comportamentos repetitivos para aliviar a ansiedade (compulsões). No contexto de Instagram e TikTok, isto pode surgir como medo intenso de publicar algo “errado”, inadequado ou que possa ser mal interpretado no futuro, levando a rever, reescrever e reler um post inúmeras vezes.

Perfeccionismo é um problema para TikTok e Instagram 

Além disso, o próprio desenho destas redes – com notificações constantes, métricas em tempo real e conteúdo infinito reforça comportamentos de verificação compulsiva. Isto é, voltar a ver se o vídeo ficou bom, se alguém comentou, se houve perda de seguidores, se o Reels ou o TikTok “rendeu”. Cada verificação traz um alívio momentâneo mas, por outro lado, fortalece o ciclo de dúvida e faz com que publicar da próxima vez pareça ainda mais arriscado. 

Com o tempo, muitas pessoas passam a evitar publicar, a apagar conteúdos logo depois de os colocar online ou a passar horas a ajustar detalhes mínimos (legenda, hashtags, filtros), sacrificando consistência, criatividade e até oportunidades profissionais. 

Como continuar a criar sem ficar refém da perfeição 

A boa notícia é que é possível continuar a usar Instagram e TikTok de forma mais saudável, mesmo com tendências obsessivocompulsivas. Para começar, definir limites claros de tempo ajuda. Por exemplo, 30 minutos para criar o conteúdo e 10 para rever, fechando o ficheiro quando o tempo termina, mesmo que a ansiedade peça “só mais uma revisão”. 

Outra estratégia importante é praticar o “suficientemente bom”. Ou seja, aceitar pequenos erros e resistir ao impulso de voltar atrás para microajustes que não mudam a mensagem, mesmo quando o OCD insiste em garantir 100% de certeza. Além disso, pausas regulares – como dias sem abrir o TikTok ou horários específicos para ver comentários e estatísticas – reduzem o circuito de verificação compulsiva e o impacto dos estímulos do feed. 

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Finalmente, quando o medo de publicar ou o perfeccionismo começam a bloquear a vida profissional e pessoal, vale a pena procurar apoio especializado. Terapias como a exposição e prevenção de resposta ajudam a tolerar a incerteza e a quebrar o ciclo de obsessões e compulsões ligado às redes sociais, permitindo voltar a criar com mais liberdade.

No fim, esse medo de não ser perfeito é talvez a maior razão para não crescer nas redes.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.