A Ferrari anunciou a nomeação de Massimiliano Di Silvestre como novo Chief Marketing and Commercial Officer, com efeito a partir de 1 de julho, substituindo Enrico Galliera após mais de 16 anos na empresa. Oficialmente, a saída foi descrita como uma decisão pessoal, com Galliera a “iniciar um novo capítulo profissional”, segundo comunicado da marca.
Ainda assim, importa notar que esta transição surge num momento particularmente sensível. O CEO Benedetto Vigna destacou o contributo de Galliera para o fortalecimento global da marca, ao mesmo tempo que sublinhou a experiência internacional de Di Silvestre (ex-CEO da BMW Itália) como um trunfo essencial para a próxima fase de crescimento.
Por conseguinte, embora a narrativa oficial seja de continuidade e planeamento, o contexto recente levanta inevitáveis dúvidas sobre o verdadeiro timing desta mudança.
O impacto do Ferrari Luce e o desafio que se segue
De facto, a substituição ocorre poucas semanas após o lançamento do Luce, o primeiro veículo totalmente elétrico da Ferrari. Apresentado em Roma a 26 de maio, o modelo – um cinco portas com quatro lugares e preço na ordem dos 550 mil euros – marcou uma rutura significativa com a identidade estética tradicional da marca.
Como resultado, a receção foi tudo menos consensual. Analistas, entusiastas e até figuras históricas ligadas à Ferrari criticaram o design, desenvolvido em parceria com a LoveFrom de Jony Ive. Consequentemente, as ações da Ferrari caíram cerca de 8,4% na bolsa de Milão no dia seguinte ao lançamento, numa das reações mais negativas de sempre associadas a um novo modelo.
Além disso, a ausência de test drives para jornalistas no evento amplificou o foco nas críticas ao design, deixando a narrativa pública sem contrapeso técnico ou experiencial.
Neste contexto, Di Silvestre assume agora um desafio estratégico claro: reposicionar o Luce junto do mercado e, simultaneamente, reconquistar a confiança dos clientes mais tradicionais da marca. Apesar de Galliera ter defendido que os colecionadores acabariam por aceitar o modelo, será agora a nova liderança a provar que um Ferrari elétrico pode, de facto, coexistir com o legado do “cavallino rampante”.
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