No centro da forte volatilidade do mercado sul-coreano está uma nova geração de ETF alavancados sobre ações individuais, centrados na Samsung e na SK Hynix, lançados no final de maio.
Estes produtos, que já representam quase um quarto do volume total negociado em ETF na Coreia do Sul, apresentam características conhecidas no mercado como short gamma. Na prática, esta estrutura tende a comprar mais quando os preços sobem e a vender mais quando os preços descem, amplificando os movimentos do mercado.
Assim, quando o índice KOSPI afundou quase 10% a 23 de junho, numa sessão que ficou marcada como uma “Black Tuesday”, vários analistas apontaram o reequilíbrio mecânico destes ETF como um dos fatores que aprofundou a queda. Entretanto, o regulador financeiro sul-coreano já tinha convocado uma reunião de emergência para alertar contra apostas excessivamente concentradas e níveis elevados de alavancagem. Além disso, responsáveis de topo da supervisão financeira criticaram duramente estes produtos, acusando-os de favorecerem as corretoras em detrimento dos investidores de retalho.
Ao mesmo tempo, o índice de volatilidade VKOSPI, frequentemente visto como o principal termómetro do medo no mercado sul-coreano, disparou para um máximo histórico no dia 24 de junho. Este valor superou largamente o registado durante a escalada do conflito com o Irão em março e ficou também acima dos níveis observados durante a crise financeira de 2008.
Goldman Sachs vê reequilíbrio da IA como origem da turbulência global
Segundo Mark Wilson, partner da Goldman Sachs, a recente onda de volatilidade global não deve ser interpretada sobretudo como um evento macroeconómico ligado à postura mais agressiva do presidente da Fed, Kevin Warsh. Pelo contrário, o banco defende que estamos perante um reequilíbrio interno do tema de investimento em inteligência artificial.
De acordo com a análise da Goldman Sachs, os hedge funds entraram no segundo trimestre de 2026 com a maior exposição de sempre ao setor dos semicondutores, equivalente a 10% das carteiras. Neste contexto, o mercado começou a distinguir com mais clareza quais são os verdadeiros vencedores da IA e quais as empresas que apenas beneficiaram do entusiasmo generalizado.
Por outro lado, o impacto desta correção não se ficou por Seul. A Microsoft, por exemplo, tornou-se no membro com pior desempenho entre as chamadas “Magnificent Seven” em 2026, acumulando uma queda de cerca de 24% desde o início do ano e negociando perto do mínimo das últimas 52 semanas.
Ao mesmo tempo, o KOSPI registou 20 sessões diárias com oscilações de pelo menos 5% em 2026, face a apenas duas em todo o ano de 2025. Consequentemente, o superciclo dos semicondutores ligados à IA transformou o mercado sul-coreano num dos mais voláteis do mundo, ainda que o país continue classificado como mercado emergente pela MSCI, que esta semana voltou a recusar a sua reclassificação.
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