Pinterest corta 15% dos trabalhadores para apostar tudo em IA

A Pinterest anunciou um plano de reestruturação que vai eliminar perto de 15% dos postos de trabalho. Trata-se de um movimento pensado para libertar dinheiro e pessoas para projetos de inteligência artificial e automatização interna.

Consequentemente, a empresa que no final de 2024 contava com cerca de 4600 a 5200 trabalhadores, deverá despedir várias centenas de funcionários até ao fim de setembro de 2026. Isto claro, juntamente com a redução de escritórios e outras despesas fixas.

IA não estará só nos posts da Pinterest…

Com efeito, de acordo com documentação enviada ao regulador norte‑americano, a Pinterest identifica três iniciativas de “transformação”. Duas estão diretamente ligadas a IA, tanto em produtos como em operações. Desta forma, a empresa espera incorrer em custos de reestruturação entre 35 e 45 milhões de dólares antes de impostos, mas vê este esforço como necessário para acelerar o desenvolvimento de funcionalidades baseadas em aprendizagem automática. Também o fará com recomendações personalizadas e ferramentas de apoio às equipas comerciais.

Na prática, isto significa que áreas mais tradicionais – como funções administrativas ou equipas com menor ligação à estratégia de dados – podem encolher, enquanto perfis ligados a ciência de dados, engenharia de machine learning e infraestruturas em nuvem ganham peso dentro da organização. A Pinterest já vinha a testar recursos com IA, como um assistente com respostas e sugestões de compras dentro da aplicação. E claro, atualizações automáticas nos “boards” dos utilizadores para melhorar a descoberta de produtos.

Assim, esta reorganização insere‑se numa tendência mais ampla no sector tecnológico. Grandes plataformas sociais e de comércio digital estão a cortar em equipas e projetos considerados menos críticos para reforçar investimentos em IA generativa e sistemas de recomendação mais avançados.

Em suma, ao mesmo tempo, abre‑se o debate sobre até que ponto a “aposta na IA” serve também como narrativa para justificar despedimentos em massa. Sobretudo num contexto em que investidores exigem crescimento de receita com estruturas mais enxutas. A ver o que acontecerá.

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