iQiyi aposta tudo em conteúdos gerados por IA

A iQiyi, a maior plataforma de streaming da China, anunciou a 20 de abril de 2026 uma reestruturação profunda da sua estratégia de produção de conteúdos. Abraça de forma massiva a inteligência artificial em praticamente todas as fases do processo criativo.

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Importa salientar que esta decisão vai muito além da utilização pontual de ferramentas de IA para tarefas auxiliares. Trata-se de uma reformulação integral do modelo de produção, que inclui guionismo assistido por IA, edição automatizada e personalização de conteúdos à escala individual do espectador. 

Além disso, a escala desta transformação é significativa quando contextualizada no mercado chinês de entretenimento digital. A iQiyi, frequentemente apelidada de “Netflix da China”, conta com centenas de milhões de utilizadores ativos e produz um volume de conteúdo que rivaliza com as maiores plataformas ocidentais.

iQiyi é uma espécie de Netflix, que quer integrar IA a todo o custo

Consequentemente, a decisão de integrar a IA de forma tão profunda na cadeia de produção terá repercussões que se farão sentir não apenas na plataforma em si, mas em toda a indústria de entretenimento chinesa e, potencialmente, global. 

Por outro lado, a utilização de IA no processo de guionismo levanta questões criativas e éticas que não podem ser negligenciadas. Neste sentido, os críticos desta abordagem argumentam que a substituição parcial de guionistas humanos por modelos de linguagem artificial conduzirá inevitavelmente a uma homogeneização dos conteúdos, com narrativas formulaicas otimizadas para métricas de visualização mas desprovidas da profundidade e da imprevisibilidade que caracterizam a criação artística genuína.

De igual modo, as implicações laborais são preocupantes. A adoção massiva de IA na produção de conteúdos ameaça eliminar milhares de postos de trabalho num setor que já enfrenta condições laborais precárias. 

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Em contrapartida, os defensores da estratégia da iQiyi argumentam que a IA não substituirá os criativos humanos. Todavia, potenciará as suas capacidades, libertando-os de tarefas repetitivas e permitindo-lhes concentrar-se nos aspetos mais sofisticados da criação artística. Nesta perspetiva, a edição automatizada poderia reduzir drasticamente os tempos de pós-produção, enquanto a personalização de conteúdos baseada em IA ofereceria a cada espectador uma experiência verdadeiramente única. Isto é, um filme cujo ritmo narrativo, banda sonora e até certos elementos visuais se adaptam automaticamente às preferências individuais do utilizador. 

Em suma, a aposta da iQiyi em conteúdos gerados por IA representa um dos experimentos mais audaciosos na interseção entre tecnologia e entretenimento. Se bem-sucedida, esta estratégia poderá redefinir os padrões da indústria global de streaming.

Se falhar, servirá como advertência sobre os limites da automatização criativa. Em qualquer dos cenários, a decisão da “Netflix da China” marca um ponto de viragem que toda a indústria está a observar com atenção.

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João Paulo
João Paulo
Aprendiz de código, com gosto por artes marciais e tecnologia. Encontro na tecnologia o espaço onde posso encontrar ferramentas que me ajudam no dia a dia e a ligar-me a quem preciso.