A Apple tem um novo capitão ao leme. John Ternus foi nomeado CEO da empresa mais valiosa do mundo, sucedendo a Tim Cook – o homem que, ao longo de quase 15 anos, transformou a Apple de uma empresa de produtos icónicos numa máquina de serviços e receitas recorrentes com uma capitalização de mercado que ultrapassou os três biliões de dólares.
De facto, a escolha de Ternus não é uma surpresa para quem acompanha a política interna de Cupertino. Ternus é, antes de tudo, um “product guy” – um líder cuja carreira foi construída no hardware, nomeadamente na transição dos Macs para Apple Silicon, considerada uma das manobras de engenharia mais impressionantes da história da tecnologia. Todavia, liderar a engenharia de hardware e liderar toda a Apple são desafios de magnitudes completamente diferentes.
Tim Cook liderava a Apple há muito tempo
Em primeiro lugar, a transição de poder foi cuidadosamente orquestrada. Tim Cook publicou uma carta de despedida onde afirmou estar “saudável e com energia elevada” no seu novo papel de chairman executivo – uma posição que lhe permite manter influência estratégica sem a pressão operacional do dia a dia. Além disso, Johny Srouji, o arquitecto dos chips da Apple, foi promovido a chief hardware officer, consolidando a equipa de liderança que Ternus terá ao seu lado.
Neste sentido, as primeiras palavras de Ternus como CEO foram reveladoras. Disse aos funcionários que a inteligência artificial vai criar “potencial quase ilimitado” – uma declaração que sinaliza claramente a prioridade estratégica para a nova era. Consequentemente, a Apple deverá acelerar a sua aposta em IA nos dispositivos. Isto é, uma área onde é alvo de críticas por estar atrás da Google, da Microsoft e da OpenAI.
Por outro lado, os desafios imediatos são formidáveis. A regulação antimonopólio na Europa e nos Estados Unidos, as tensões geopolíticas com a China (onde a Apple mantém a maior parte da sua cadeia de produção), e a necessidade de encontrar o próximo produto transformador. Num momento em que o iPhone atinge a maturidade, tal exigirá de Ternus uma versatilidade que vai muito além do hardware.
Novo CEO é focado em hardware
Importa salientar um detalhe curioso. Donald Trump comentou no Truth Social que Cook lhe telefonava regularmente a pedir favores – uma afirmação que, independentemente da sua veracidade, ilustra o nível de exposição política que o CEO da Apple enfrenta inevitavelmente. Com efeito, Ternus herda não apenas uma empresa, mas um papel geopolítico.
Assim sendo, a era pós-Tim Cook começa com mais perguntas do que respostas. Sobretudo, a grande questão é se Ternus conseguirá manter a disciplina operacional de Cook enquanto injeta a paixão pelo produto que definiu a era de Steve Jobs. Em suma, a Apple precisa de ambas – e o mundo estará a observar.
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