Joe Russo escolheu as palavras com cuidado, mas o impacto foi imediato: Avengers: Doomsday não é apenas mais um capítulo do Universo Cinematográfico Marvel – é o começo de algo novo.
A designação “Phase Zero” que o realizador utilizou para descrever o que Doomsday representa é simultaneamente uma promessa e uma confissão. Uma promessa de renovação genuína, de uma narrativa que não se limita a acumular sobre o que veio antes. E uma confissão implícita de que algo nos últimos anos do MCU não funcionou como deveria – de que a fadiga dos espectadores é real, que o universo ficou demasiado complexo para ser acessível, e que uma limpeza de página é necessária.
De facto, a trajetória do MCU nos anos que separaram Endgame de Doomsday foi marcada por uma produção industrializada que, paradoxalmente, diminuiu o impacto de cada produto individual. Quando tudo é evento, nada é evento.
Próximo filme de Avengers promete
As séries de streaming multiplicaram-se ao ponto de se tornarem ruído de fundo para uma parte significativa do público, e mesmo os filmes de cinema perderam a capacidade de gerar o tipo de conversa coletiva que Infinity War ou Endgame conseguiram. Neste sentido, a chegada de Joe Russo – o realizador que definiu o auge do MCU – com uma promessa de recomeço foi recebida com uma esperança que a Marvel certamente sabe que não pode defraudar.
Sobretudo, a questão que os fãs mais investidos na continuidade narrativa colocam é inevitável. O que acontece às histórias que seguiram durante anos? Personagens como Sam Wilson como Capitão América, Shang-Chi, Ms. Marvel – figuras que foram estabelecidas com cuidado e com as quais uma geração de espectadores criou laços – ficam simplesmente descartadas num “recomeço total”? Consequentemente, a resposta de Russo vai determinar se Doomsday é recebido como uma libertação criativa ou como uma traição à lealdade dos fãs.
Em suma, a “Phase Zero” que Joe Russo descreve é uma aposta de altíssimo risco. O MCU tem um historial extraordinário de transformar apostas arriscadas em sucessos culturais definitivos. Mas também tem, nos últimos anos, um historial de expectativas não cumpridas. Avengers: Doomsday chega carregado do peso de ter de ser o filme que reabilita um universo cansado e o relança com energia renovada.
Em suma, se conseguir, será um dos maiores feitos da história do cinema de entretenimento. Se falhar, as consequências para a Marvel serão profundas e duradouras. Não existem meios-termos para um “recomeço total”.
Fica mais conectado:
- Microsoft Scout é revelado a par de outros modelos de IA
- Google – IA está a redefinir o trabalho dos engenheiros de software
- Meta lança agente de IA para empresas e reforça aposta no ECOM

